outubro 10, 2009 · Imagens minhas, Passado, Textos meus · 2 comments

4 em 1

Comecei a pensar sobre essa foto assim que a redescobri, tentando adivinhar em que ponto as imagens se tocavam. Depois de nomear quadro por quadro e dar uns googles, cheguei a algumas conclusões.

1. A música, a melodia
: A música, “ao mesmo tempo que tem o poder de acalmar bebês, também dá coragem a soldados”. O seu potencial de comunicação por meio de canais não-verbais é enorme. Se até as plantas comprovadamente crescem e rendem mais ouvindo determinados tipos de música, posso deduzir que a música repercute sobre a mente (emoções, raciocínio) e sobre o corpo também (células, tecidos etc.).

2. O fator tempo:
Alguns dizem que o tempo é o melhor remédio. A Bíblia afirma que “tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu”. Até no carnaval de São Luis do Paraitinga tem o bloco do Juca Teles, cuja principal indagação é: como viver sentindo a passagem do tempo? O tempo pode ter um efeito perverso: distanciar-nos da nossa essência, à medida que ele passa freneticamente e não nos damos conta.

3. O cinema, as nossas projeções: No mundo junguiano dos sonhos, o ato de sentar-se na cadeirinha do cinema e ver um filme é uma típica representação de fuga da realidade. Muitas vezes nos identificamos com aquelas imagens, e isso muito determina se gostamos ou não do filme, mas quantos por cento tem aí de idealização, de realização imaginária de um desejo? Até o Edgar Morin falou sobre a projeção-identificação do espectador com o filme e eu descobri esses dias.

4. A comunicação quando se está mais “no outro”: Uma das mais interessantes teorias da comunicação é a espiral do silêncio. Ela se verifica quando tem uma minoria com cagaço de falar e sofrer represálias da maioria. Isso ocorre num movimento de espiral, porque as pessoas têm medo da solidão, de suas opiniões não terem uma boa receptividade – ou seja, o silêncio se retroalimenta.

Ela, a foto, poderia ter um nome grandão: “Quatro Elementos que nos Distanciam de Nós Mesmos (Acidentalmente – e Curiosamente – Em Um Só Fotograma)”

(08/2008)

julho 8, 2009 · Comentários · 2 comments

Conferência com Edgar Morin
SESC Consolação | 16 de julho, quinta, às 10h00

PENSAR O SUL é o tema sobre o qual o pensador e escritor francês Edgar Morin nos convida a refletir. Sua referência é de que há uma pluralidade no Sul no sentido geográfico, geopolítico, mas também simbólico, que exige um novo modo de análise e de compreensão do contexto mundial, impelindo-nos a navegar por vários portos, a entrelaçar continentes, arquipélagos e ilhas que formam esse novo Sul. Um sul que reivindica uma política de regeneração, de defesa da qualidade de vida e do ambiente, uma defesa que implica na defesa da vida em si mesmo, uma política de emigração que nos permite substituir o medo demográfico e étnico, pelo sentido de hospitalidade, pelo sentimento de complementaridade e respeito do outro.

Medo demográfico e étnico é eufemismo pra xenofobia? Que palavra será que ele usa no original?

Ainda dá pra reverter a tendência de criminalização da imigração?

Criando um pouco de polêmica agora. Um país não tem direito de defender os interesses de seus cidadãos? Se os cidadãos de um país não têm regalias em relação aos cidadãos do resto do mundo, as fronteiras perderiam o sentido e poderiam ser abolidas. Seria lindo e eu adoraria ver isso nesta vida ainda, mas estou registrando aqui um raciocínio lógico, não lindo. Essas leis protecionistas têm seu sentido. Ninguém é obrigado a fazer caridade pros hermanos mais pobrinhos, apesar de ser uma atitude nobre e demonstrar altruísmo. Hoje em dia, quase não vemos mais esse tipo de gesto nem na esfera pessoal (ou você doa dinheiro regularmente a alguma instituição de caridade séria, ou tem um trabalho voluntário regular? Se sim, já deve saber que faz parte de uma minoria)! Pois bem, quem dirá numa escala tão grande quanto a global…

É incoerente recriminar leis anti-imigração de países, esses organismos com leis e fronteiras próprias, tanto quanto um católico apostólico romano defender a legalização do aborto ou o uso da camisinha. Eu simplesmente não entendo essas coisas. São atitudes que vão contra todos os preceitos da religião que o cerumano segue! Pra mim, quando não é imposta, a religião não é pra ser “meio” seguida, ou um terço ou dois terços seguida, porque todas as nuances do seu sistema de valores estão intrincadas e relacionadas.

ps chatinho: porra, horário comercial de dia útil é só pras dondocas e estudantes de primeiro ano de faculdade irem?