Quantas coisas podem ser feitas em três semanas sem internet? Ler um livro e meio, organizar todos os gigas de mp3 no iTunes, encontrar pessoas ausentes por anos, fazer dois cursos de curta duração, voltar à capoeira, assistir o enésimo filme do mês, pegar o primeiro frila da vida do desemprego, ir a um show e ouvir as músicas preferidas, assistir a uma boa peça de teatro (raridade)? E sempre com aquele lance de que, quando a gente tá com um assunto recorrente na cabeça, ele fica se confirmando toda hora pelas coisas aleatórias que vão pipocando no nosso caminho.

Timothy Treadwell: Most times I am a kind warrior out here, occasionally I am challenged, in that case the kind warrior must must must become a samurai.

Clarice Lispector: a bondade é um pedaço de carne morna e leve, cheirava a carne crua guardada há muito tempo. Sem apodrecer inteiramente apesar de tudo. Refrescavam-na de quando em quando, botavam um pouco de tempero, o suficiente para conservá-la um pedaço de carne morna e quieta.

Céu: Don’t take my kindness for weakness!

Bretch: como ser bondoso sem submeter os próprios desejos – e necessidades – à ganância alheia?

Muito assunto pra botar em dia. Segura!

agosto 24, 2009 · Amo Muito, Textos meus · 4 comments

Não costumo indicar aqui os meus discos/filmes/livros favoritos. E é por isso, pro meu depoimento ganhar mais força, que abro uma exceção para este cerumano (sim, aí vem mais um dos meus horrorosos releases)!

Céu

Tudo começou em 2005, ano de estreia desta divina cantora e compositora. Em 2007, seu álbum começou a ser vendido nos Starbucks de todos os EUA, o que lhe rendeu uma visibilidade enorme na gringa – incluindo posições altíssimas nos rankings da Billboard e uma indicação ao Grammy Latino. Era uma Céu estreante, moleca, misturando mpb (o que seria isso mesmo?) a afrobeats, jazz, blues, reggae e toda sorte de ritmos interessantes de uma forma inovadora. Inovadora means: diferente do clichê atual e crescente da mistureba de mpb com alguma outra coisa.

Céu (2005)

Aí ela ficou 4 anos na miúda, sem pressa, pra lançar seu segundo álbum. O que parecia difícil se concretizou: ela levou sua mistureba boa às últimas consequências e saíram músicas mais envolventes e refinadas ainda, cantadas por uma Céu mais mulher e com a mesma voz celestial (sem trocadalhos).

Vagarosa (2009)

Ela também escolhe e executa bem as releituras. No primeiro álbum, a versão de Concrete Jungle (do Bob Marley) é a música que eu escolheria pra ouvir pro resto da vida. É o caso típico de releitura que fica melhor que a original. No segundo álbum, a versão de Rosa Menina Rosa (do Jorge Ben) mantém a delicadeza e acrescenta uma certa psicodelia.

Eu já fui a 3459 shows dela, que costumam ser super acessíveis (nos Sesc da vida e tal). Então, posso acrescentar que no palco ela é aquela tímida charmosa, que não chega nem perto de ser espalhafatosa, mas que também não se esconde. E, como se não bastasse, a piranha ainda é bela. Belíssima. De doer. De dar inveja mesmo!

Céu bela

PS. O título eu não inventei, é um trechinho da Wikipedia em inglês :)