bahia

Estou voltando devagarinho. É pra tentar estender o máximo possível o estado quase zen-budista de serenidade em que eu me encontro, depois de um mês na Bahia. Isso inclui manter distância de certos equipamentos e tipos de mídia, vocês sabem.

Eu acredito que quem está atento e disposto é capaz de aprender até com uma viagenzinha de fim de semana pra Praia Grande. Partindo desse pressuposto, dá pra imaginar como anda minha cabeça agora: um caldeirão borbulhante de novas informações, personalidades, paisagens, cores, sons, sotaques, cheiros, toques, sentimentos. E tudo isso volta durante o dia, em qualquer conversa corriqueira, e à noite também, em sonhos conturbados e difíceis de decifrar.

Mas, mais do que decorar na prática a ordem das praias de todo o litoral baiano, do sul àquele nortinho capcioso que só se alcança a partir de Sergipe, tive profundas lições sobre humanos, relacionamentos,  pessoas. Principalmente sobre mim mesma.

Às vezes dói muito.

Mas às vezes brota amor de onde não se espera, amor que te acalanta, que te ensina, te faz chorar, te faz sorrir e, como qualquer amor, te arrebata. E eu, que estou sempre me questionando se sou meio fria, porque costumo não responder a vários eu te amo que ouço de alguns amigos não tão próximos. Não. Sou apenas sincera e conheço a dimensão real dessa palavra. Não existe “amorzinho” nem “amorzão”, existe amor. Mesmo com toda a minha agressividade, intolerância e presunção, o amor brota. É como um milagre.

Esse foi um dos mil pensamentos importantes que tive: continuarei me passando por fria para uns, e me derramando em palavras doces e abraços apertados para outros. O amor é raro; milagres não acontecem todo dia.

Estou voltando devagarinho. Quando puder, escrevo mais. Prometo!