novembro 10, 2009 · Amo Muito · 1 comment

Eu amo muito mesmo, até abri uma nova catIgUria aqui no blog. Eu queria ter conhecido ele. Eu queria ter sido ele! Na sua maneira de ser meio errado, o cara deu totalmente certo. Descendente de polonês com negro, poliglota, virginiano com lua em escorpião (yeah), de companhias ilustres tipo Caetano e Gil, se casou na contramão em pleno ano de 1968, era zen-budista, perdeu um filho e morreu de cirrose.

o pauloleminski
é um cachorro louco
que deve ser morto
a pau a pedra
a fogo a pique
senão é bem capaz
o filhadaputa
de fazer chover
em nosso piquenique

Ele manjava de latim e grego, escrevia prosa, poesia, traduções, haikais e biografias, brincava com a metalinguagem, tinha ótimos parceiros que completavam seus poemas com grafismos, e transitava entre o lirismo e a crítica com a maior naturalidade – isso pra mim é TÃO fascinante!

minha cabeça cortada
joguei na tua janela
noite de lua
janela aberta

bate na parede
perdendo dentes
cai na cama
pesada de pensamentos

talvez te assustes
talvez a contemples
contra a lua
buscando a cor de meus olhos

talvez a uses
como despertador
sobre o criado-mudo

não quero assustar-te
peço apenas um tratamento condigno
para essa cabeça súbita
de minha parte

Neste site tem várias coisinhas legais, textos, vídeos, vale a visita. A exposição acabava este fim de semana e eu tive a pachorra de acordar cedinho num domingo nublado pra não perdê-la. [ok, me acordaram, mas valeu a pena de qualquer forma :]

me enterrem com os trotskistas
na cova comum dos idealistas
onde jazem aqueles
que o poder não corrompeu

me enterrem com meu coração
na beira do rio
onde o joelho ferido
tocou a pedra da paixão

Se deixar, fico colando os poemas dele aqui até amanhã de manhã. Então fiquem com este curtinho, e qualquer semelhança com o post de baixo não é mera coincidência. Não mesmo!

isso de querer
ser exatamente aquilo
     que a gente é
ainda vai
     nos levar além

novembro 7, 2009 · Imagens minhas, Textos meus · 2 comments

Visconde de Mauá

Não é que eu esteja, digamos assim, livre, leve e solta. Não é que eu tenha me libertado de todos os meus problemas internos e das intercorrências da vida, ou me conformado com o lado podre do cerumano. Eu continuo idealista demais, de lua, carente, melancólica. Mas é que agora consigo vislumbrar tantos caminhos. Os caminhos são infinitos. Não no sentido de não chegarem a lugar algum, e sim de serem inúmeros mesmo.

Sobre os caminhos que saem debaixo dos meus pés,  acho que eles não são tão simples como os que vemos por aí. Não se trata de comprar um apartamento, um carro e um cachorro e constituir uma família de comercial de margarina. Também não falo de um plano de carreira do tipo gerência < diretoria executiva < superintendência. Chamo de “simples” esses caminhos pelo fato de que já sabemos seu manual de instruções de cor. É ou não é? Já os meus, não os vejo circunscritos a nomes ou classificações. Mas isso também pode ser visto como uma vantagem, porque eles se tornam mais abertos – ainda bem. 

Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar.

Não quero e não vou mais me submeter a ideias falsas e limitantes, como ”não tenho mais idade pra isso” ou “nunca vi ninguém fazendo desse jeito”.  Conceitos desse tipo também constam no manual de instruções e podem ser um referencial confortável, mas não se esqueça: manuais são úteis para produtos em série, que saem da fábrica exatamente iguaizinhos uns aos outros. E eu acredito que as pessoas que se descolam desse referencial são as que acabam criando as obras mais interessantes.  

Em matéria de lirismo, o Ricardo Reis dá um banho em mim.

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

……………
A tomada de consciência, as muitas reflexões, as poucas conclusões e os horizontes abertos, nada disso – nem a foto – seria possível sem a Somaterapia. Se você se busca contato com a totalidade do seu ser, vale a pena ler sobre. O Roberto Freire cita esse poema do Antonio Machado no livro Ame e dê Vexame. Tá aí no link, inteirinho e de graça, e é daqueles que se devora em questão de horas. E a água na boca final eu deixo com a seguinte frase: para ser o que realmente somos, só possuímos um indicador: o prazer de viver.
outubro 30, 2009 · Textos meus · 3 comments

Desde que uma astróloga de mão cheia fez rápidas interpretações do meu mapa astral, tenho lido sobre o assunto. Ela trabalha comigo e tem por princípio não fazer o detalhamento completo do mapa de calégas de trabalho, mas quando a gente pede, ela nos passa pequenos teasers.

Não vou entrar (muito) no mérito de se astrologia é verdade ou mentira. Porque eu teria que primeiro me explicar, pra depois explicar porque tenho dado um certo crédito ao assunto.  Tenho pavor de gente teimosa, que não sabe discutir nem escuta argumentações – esses geralmente são medrosos, têm medo de mudar. Sou sim uma pessoa razoavelmente cética, mas também me deixo flexibilizar quando vejo a quantidade de evidências de uma certa teoria (São Tomé feelings).

Foi assim, aos poucos, que comecei a dar ouvidos ao que os planetinhas podem ter a dizer. Primeiro a minha caléga astróloga, doravante Fulana, quis retificar meu ascendente. Muita gente já deve ter entrado nesses sites onde você bota a data e a hora de nascimento e sai lá seu ascendente, certo? Só que a primeira coisa que a Fulana viu foi que o meu está numa zona bem limítrofe – se eu tivesse nascido dois minutos depois, meu ascendente não seria Libra, e sim Escorpião. Considerando que  o relógio da maternidade do Hospital São Paulo provavelmente não trabalhava com a transição do átomo de césio 133 na ocasião do meu nascimento, ele podia estar um pouco adiantado ou atrasado.

A Fulana fez um recorrido da minha vida, citando a data de todos os fatos mais relevantes – mudanças, grandes decepções, grandes conquistas, viagens importantes - e me pediu pra confirmá-los. Eu devo ter ficado branca com bolinhas coloridas quando li a listinha: ela acertou tudo, tudo mesmo. E confirmou-se, sou virgem com ascendente em libra e lua em escorpião.

A Fulana me explicou também que tá rolando o Retorno de Saturno na minha vida agora. É um período que acomete todo cerumano entre os 28 e os 30 anos, na qual Saturno se posiciona no mesmo local em que ele estava no momento do nosso nascimento, e inicia uma nova volta em torno do zodíaco. [eu copiei essa descrição de um site que esqueci, sorry]

Na mitologia greco-romana, Cronos/Saturno castrou seu pai e tornou-se o rei dos deuses, mas segundo uma profecia, um de seus filhos ia destroná-lo também. Então ele passou a devorar seus próprios filhos. Mas sua mulher conseguiu salvar um deles, Zeus/Júpiter, que de fato o destronou e o expulsou do Olimpo. Cronos é o tempo, o que rege a vida e a morte, o que determina a duração de todas as coisas. O tempo consome tudo que cria.

Astrologicamente falando, Saturno se apresenta a nós de uma forma dura, malévola, sendo associado a depressões, crises e perdas. MÃNNS, se pensarmos sob uma perspectiva de tomada de consciência do que somos e do nosso potencial de realização, temos outra dimensão do planeta: a de um mestre que nos entrega aquilo que precisamos – e nem sempre o que desejamos – para despertar a nossa capacidade de realização. [também perdi a fonte, sorry de novo]

Ainda não sei se acredito em tudo isso. Mas pensa bem: se a Lua mexe com as marés, que é o movimento de um monte de água empilhada, por que aquele bando de planetas todos não mexeria com outros tipos de materiais/energias?

Também não encontrei a resposta para essa pergunta, claro. De qualquer forma, a leitura de sites inteligentes (como este e este) põe algumas pérolas em nosso caminho, ajudando nem que seja a entendermos melhor nossa existência:

Saturn tends to give a feeling of isolation, so if you feel others around you don’t have a clue about how hard it’s been for you – if they dismiss your suffering or fail to even see it – I sympathize, dear Virgo.

This is how Saturn works, but there is method in his madness.

By temporarily taking away your usual sources of support you will learn new ways to develop and grow independently. Although Saturn’s methods are extreme, he does get the results he is after – to make you stronger and more resourceful than you ever were before.

Que assim seja – seja por causa dos astros, seja pelo que for.

E vinte e nove anjos me saudaram,
E tive vinte e nove amigos outra vez…

outubro 27, 2009 · Rest-eau d’Onté · 5 comments

Que alegria é fazer um catadinho geral na geladeira e transformar o improvável em deliciosa refeição.  Já falei aqui do shimeji com queijo cottage, e agora vou compartilhar com vocês mais uma de minhas invencionices bem-sucedidas.

MELECA DE LEGUMES COM HAMBÚRGUER DE SOJA

Ingredientes
- Meia abobrinha italiana
- Ervilha
- Um tomate médio
- Um quarto de uma cebola média
- Tempero do seu gosto (* importante)
- Hambúrguer de soja desta marca aqui
- Azeite

Pegue a meia abobrinha e pique em cubos numa vasilha.

Junte um pouco de ervilha. Eu gosto da congelada, porque a fresca estraga rápido pra quem só cozinha pra si mesmo, e a enlatada é de chorar de ruim.

Corte o tomate em pedaços grandes. Se você for fresco, pode chamuscar o tomate na boca do fogão antes, pra tirar a casca.

Jogue o * tempero da sua preferência. Coloquei o asterisco porque esta parte é importante eu dividir com meus leitores, tendo eu descoberto a oitava maravilha alimentícia do mundo: chimichurri desidratado! Comprei no Mercadão, mas tem em algumas feiras também (e a base dos ingredientes é relativamente simples, você pode fazer uma mistura do seu gosto também).

Numa frigideira grande, frite a cebola no azeite e refogue toda a mistureba acima. Depois, abaixe o fogo, tampe e deixe cozinhar bem pouquinho pra não amolecer muito os legumes – senão eles perdem a graça E os nutrientes. O tomate vai derreter e virar uma melequinha boa, dando a “liga”, e o tempero vai dar um saborzinho todo especial.

Enquanto isso você já tinha colocado o hambúrguer no forno (pode fritar, se você for mais hardcore). Esse que eu sugeri é bem saboroso, além de não ser Sadia, Perdigão, Unilever nem essas marcas do demônio. Mas é melhor jogar um pouco de azeite nele antes de assar, senão fica meio seco.

Se a refeição for acompanhada de um suco bem roots, tipo de caju ou de goiaba, fica melhor ainda!

Espero ter contribuído praqueles momentos de desespero, quando se está em casa de pijama, a fome bate e não se pode sair por algum motivo – preguiça inclusive, haha. Claro que dá pra adaptar a minha versão às suas atuais necessidades, e é justamente essa a ideia, mas acho que o tomate pra fazer a melequinha é essencial, hein?

PS. Os períodos de censura auto-imposta e os posts de receita são coincidência, eu juro!
outubro 20, 2009 · Textos meus · 1 comment

Me odeie
Me xingue
Me queira mal
Jogue minhas coisas fora
Bote meu nome na boca do sapo
Fale mal de mim pros nossos amigos
Amaldiçoe até minha quadragésima geração
Faça um bonequinho de vodu com a minha cara e enfie uma agulha 
                                   [bem embaixo da unha do dedinho da mão direita

Mas, por favor,
Só não fique triste comigo

outubro 16, 2009 · Comentários, Textos meus · 5 comments

Vejo cada vez mais gente escrevendo sobre o individualismo exacerbadíssmo dos nossos tempos. É um assunto que me interessa bastante e que me cutuca  há muitos anos, quando diariamente eu queria sair dando bica em quem estacionava na frente da porta do metrô e atravancava a passagem. São mil variações do mesmo tema: fulano que se escora no balaústre inteirinho, que desrespeita os assentos reservados, que não dá passagem no trânsito a alguém que pede cordialmente, que te fecha e se enfia na sua frente só porque ligou a seta… é a mulher que se entope de perfume e te impõe o cheiro dela, o idiota que liga o som do carro numa altura ensurdecedora e te obriga a ouvir a música dele. É o cocô de cachorro de madame que não foi limpado, é a celebridade que pisa e quase esmigalha seu pé numa festa, olha pra sua cara e não pede desculpa, porque você não é ninguém (essa já aconteceu comigo).

Eu poderia ficar até as Olimpíadas de 2016 (pfff) citando situações semelhantes que acontecem a todo momento, em todos os graus, em todos os lugares – bem, não fui à Birmânia pra saber, mas vocês entenderam: situações fruto do pensamento arraigado à cultura da qual participamos. Juro que não consigo entender como as pessoas podem agir assim. Pra mim, é TÃO óbvio que vivemos no meio de milhões de indivíduos, que a situação é delicada e que, se não tivermos parcimônia e não agirmos com justiça, a coisa não vai funcionar de uma forma mais organizada, harmônica e eficaz para TODOS. Por isso, eu bem que tento ter atitudes corretas e não-umbiguistas em relação ao máximo de itens que eu puder.

Claro, não posso deixar de mencionar aqui que sou um cerumano regido por seus hormônios, pela lua, pela relatividade do cosmos, pela flutuação do câmbio, pela saída da cama com o pé esquerdo, enfim, por motivos muitas vezes osbscuros e parciamente desconhecidos – como qualquer cerumano. Volta e meia fico puta com o fulano que usa egoisticamente seu escudo de metal (vulgo carro – deve ser parte integrante do seu kit de super-herói) pra se enfiar na minha frente, como se fosse óbvio que ele tem esse direito. Aí mando pra puta que pariu, não dou passagem, se possível ainda arrumo briga. Um dos meus objetivos de vida é exercitar a tolerância e a paciência pra poder viver melhor nesta selva, mas muitas vezes não dá. Não rola meeesmo.

No Saturnália, uma das minhas leituras diárias, fizeram um mini muro das lamentações com essa temática ontem. O Leonardo Boff publicou hoje um artigo sobre o individualismo. Na Folha Equilíbrio de ontem, dois textos (um da Roseli Sayão, educadora, e outro da Dulce Critelli, terapeuta) abordaram a falta de espírito de coletividade entre as pessoas. Aliás, transcrevo aqui um trecho desse último, digníssimo de nota:

O que nos falta é o sentimento de termos um mundo em comum. Não nos sentimos pertencer, em conjunto, ao mesmo mundo. Por isso, problemas da realidade, aí fora, não nos afetam.
Assim, entendemos que os problemas do país são de responsabilidade dos políticos, os de saúde, da alçada dos médicos… Reconhecemos como nossos somente os problemas que nos afetam diretamente.
Parecemos viver dentro de bolhas particulares. A perda do sentimento de pertencermos a um mundo comum nos mantém isolados uns dos outros e cada vez mais incomunicáveis.
A violência urbana e a dinâmica do universo profissional corroboram com isso. Exercemos, hoje, muito melhor a competição do que a solidariedade. O problema maior é que, quando perdemos o sentido de um mundo em comum, ficamos mortalmente atingidos na nossa condição humana. Os homens não foram criados para que vivessem sozinhos.

Percebem que são quatro textos com abordagem bem semelhante, publicados quase simultaneamente? Então menos mal, eu não devo ser a única que pensa nisso. E, a exemplo dos textos que não param de pipocar, talvez a quantidade de gente que preza por essas questões esteja aumentando. Agora, a pergunta de um milhão de doletas: como ajudar a conscientizar o resto do mundo?

outubro 12, 2009 · Comentários, Textos meus · 4 comments

Recebo o seguinte e-mail, em tréplica àquele famoso “INCENTIVO À VAGABUNDAGEM” que tá rolando por aí:

Não é tudo culpa só do do Lula. A culpa é dele, dos que votam nele, dos que acreditam nele e dos que não fazem nada para transformar esse país num país sério… ou seja… a culpa é de todos nós… independente de classe, filosofia ou opinião. Engraçado que na apresentação da candidatura do Rio de Janeiro para as Olimpíadas não apareceu nenhuma favela… será que a urbanização de todas elas também faz parte do pacote de  30 bilhões? Eu não torço contra o Brasil. Muito pelo contrário. Torço para o que eu acho certo. Torço para que se respeite uma ordem de prioridades. Torço para que o o governo faça a restituição do imposto de renda não só para mim, que sou da classe média e nem estou contando com esse dinheiro, mas para todos. Dar calote no povo (todas as classes) enquanto emprestam 10 bilhões ao FMI é ultrajante.. . quer dizer… deve ser apenas mais um delírio da classe média… rs
OBS: gostei muito da idéia de repudiar a opinião de uma pessoa, com a qual não concorda, com argumentos psicossomáticos. .. é muito mais fácil (e deselegante) considerar que nosso adversário é louco ou sofreu uma lavagem cerebral… e vamos continuar rindo de nós mesmos… enquanto esse país de merda vai de mal a pior.

Psicossomático? Isso tem a ver com o fato de eu ter mandado o link do Classe média way of life pra ele, como resposta ao “INCENTIVO À VAGABUNDAGEM”? Haha. Mas que ele mandou um  “vamos continuar rindo” pra pessoa errada, ahhh, isso ele mandou…

Vou me ater ao assunto do primeiro email, deixando de lado as olimpíadas, o FMI etc, só pra não fugir do tema, ok?

Fulano,você argumenta que este país não é sério pq tiram dinheiro da classe média pra dar a vagabundos. Só que, se for assim mesmo, todos os países da Europa Ocidental também não são sérios, porque em todos eles existem programas bem semelhantes. E eu conheço – pessoalmente – muitos nativos que preferem viver desempregados na Espanha ou na Irlanda a pegar um trabalhinho merda qualquer, porque o dinheiro do governo dá pra passar o mês. Apertado, mas dá.

E aí, a Europa não é séria também?

O que não podemos fazer é duvidar dos benefícios de um programa do governo por causa de uma minoria de má-fé que se aproveita dele pra tirar vantagem. O que, aliás, a classe mérdia também sabe fazer muito bem, não? Subornando o CET pra não tomar multa, fazendo esquema com o cara da NET pra instalar gato em casa… ninguém passa impune, meus caros. Nem a que escreve o email.

O Bolsa Família e afins têm problemas sim… pode ser uma medida paternalista, inclusive descobriram que vários políticos estão inscritos no programa e recebendo a grana… mas é indiscutível que tirou um monte de gente da miséria absoluta, e mais uma vez falo com conhecimento de causa: este ano fiz uma viagem ao sertãozão do Nordeste e conversei com gente PAUPÉRRIMA, que antes não tinha nem água, e agora pelo menos tem o que comer.

Agora me digam, como podemos nos revoltar contra um programa que tira uns trocados mensais nossos pra dar COMIDA a quem não tem nem isso? Tá na base da pirâmide de Maslow, conforme vcs estudaram e sabem: comida vem antes da grana pra pagar o estacionamento. Acho que se revoltar contra isso é muito desamor, é não conseguir pensar no coletivo, é dificuldade de se colocar no lugar de outro ser humano. Bem se sabe que vivemos em umas das épocas mais difíceis da história, em que mais falta cooperação e sobra individualismo.

Não sei quanto a você, mas eu não estou rindo nem um pouco. Mas eu sei que tem gente que ri sim, são as mesmas que olhariam o tamanho deste email e pensariam “vishh nem vô ler ó”. Como todo assunto polêmico, não existe verdade absoluta, por isso digo este é o meu ponto de vista – mas podemos debater “elegantemente” pra levantar mais ideias e esclarecimentos.

OBS: Não entendi o que vc chama de argumentos psicossomáticos, mas se o q vc queria era um e-mail com uma argumentação mais clássica, ei-lo!

outubro 10, 2009 · Imagens minhas, Passado, Textos meus · 2 comments

4 em 1

Comecei a pensar sobre essa foto assim que a redescobri, tentando adivinhar em que ponto as imagens se tocavam. Depois de nomear quadro por quadro e dar uns googles, cheguei a algumas conclusões.

1. A música, a melodia
: A música, “ao mesmo tempo que tem o poder de acalmar bebês, também dá coragem a soldados”. O seu potencial de comunicação por meio de canais não-verbais é enorme. Se até as plantas comprovadamente crescem e rendem mais ouvindo determinados tipos de música, posso deduzir que a música repercute sobre a mente (emoções, raciocínio) e sobre o corpo também (células, tecidos etc.).

2. O fator tempo:
Alguns dizem que o tempo é o melhor remédio. A Bíblia afirma que “tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu”. Até no carnaval de São Luis do Paraitinga tem o bloco do Juca Teles, cuja principal indagação é: como viver sentindo a passagem do tempo? O tempo pode ter um efeito perverso: distanciar-nos da nossa essência, à medida que ele passa freneticamente e não nos damos conta.

3. O cinema, as nossas projeções: No mundo junguiano dos sonhos, o ato de sentar-se na cadeirinha do cinema e ver um filme é uma típica representação de fuga da realidade. Muitas vezes nos identificamos com aquelas imagens, e isso muito determina se gostamos ou não do filme, mas quantos por cento tem aí de idealização, de realização imaginária de um desejo? Até o Edgar Morin falou sobre a projeção-identificação do espectador com o filme e eu descobri esses dias.

4. A comunicação quando se está mais “no outro”: Uma das mais interessantes teorias da comunicação é a espiral do silêncio. Ela se verifica quando tem uma minoria com cagaço de falar e sofrer represálias da maioria. Isso ocorre num movimento de espiral, porque as pessoas têm medo da solidão, de suas opiniões não terem uma boa receptividade – ou seja, o silêncio se retroalimenta.

Ela, a foto, poderia ter um nome grandão: “Quatro Elementos que nos Distanciam de Nós Mesmos (Acidentalmente – e Curiosamente – Em Um Só Fotograma)”

(08/2008)

setembro 24, 2009 · Comentários, Copy-paste · 4 comments

Recebi um email com o título acima, cheio de tópicos bonitinhos/auto-ajuda feelings, escrito por uma jornalista que acabara de completar 90 anos.

Regina’s 45 life lessons and 5 to grow on
Written By Regina Brett, of The Plain Dealer, Cleveland, Ohio

To celebrate growing older, I once wrote the 45 lessons life taught me. It is the most-requested column I’ve ever written. My odometer rolls over to 90 this week, so here’s an update:

1. Life isn’t fair, but it’s still good.
2. When in doubt, just take the next small step.
3. Life is too short to waste time hating anyone.
4. Don’t take yourself so seriously. No one else does.
5. Pay off your credit cards every month.
6. You don’t have to win every argument. Agree to disagree.
7. Cry with someone. It’s more healing than crying alone.
8. It’s OK to get angry with God. He can take it.
9. Save for retirement starting with your first paycheck.
10. When it comes to chocolate, resistance is futile.
11. Make peace with your past so it won’t screw up the present.
12. It’s OK to let your children see you cry.
13. Don’t compare your life to others’. You have no idea what their journey is all about.
14. If a relationship has to be a secret, you shouldn’t be in it.
15. Everything can change in the blink of an eye. But don’t worry; God never blinks.
16. Life is too short for long pity parties. Get busy living, or get busy dying.
17. You can get through anything if you stay put in today.
18. A writer writes. If you want to be a writer, write.
19. It’s never too late to have a happy childhood. But the second one is up to you and no one else.
20. When it comes to going after what you love in life, don’t take no for an answer.
21. Burn the candles, use the nice sheets, wear the fancy lingerie. Don’t save it for a special occasion. Today is special.
22. Overprepare, then go with the flow.
23. Be eccentric now. Don’t wait for old age to wear purple.
24. The most important sex organ is the brain.
25. No one is in charge of your happiness except you.
26. Frame every so-called disaster with these words: “In five years, will this matter?”
27. Always choose life.
28. Forgive everyone everything.
29. What other people think of you is none of your business.
30. Time heals almost everything. Give time time.
31. However good or bad a situation is, it will change.
32. Your job won’t take care of you when you are sick. Your friends will. Stay in touch.
33. Believe in miracles.
34. God loves you because of who God is, not because of anything you did or didn’t do.
35. Whatever doesn’t kill you really does make you stronger.
36. Growing old beats the alternative – dying young.
37. Your children get only one childhood. Make it memorable.
38. Read the Psalms. They cover every human emotion.
39. Get outside every day. Miracles are waiting everywhere.
40. If we all threw our problems in a pile and saw everyone else’s, we’d grab ours back.
41. Don’t audit life. Show up and make the most of it now.
42. Get rid of anything that isn’t useful, beautiful or joyful.
43. All that truly matters in the end is that you loved.
44. Envy is a waste of time. You already have all you need.
45. The best is yet to come.
46. No matter how you feel, get up, dress up and show up.
47. Take a deep breath. It calms the mind.
48. If you don’t ask, you don’t get.
49. Yield.
50. Life isn’t tied with a bow, but it’s still a gift. 

Como é uma lista pessoal, tenho problemas com alguns dos conceitos envolvidos (”a vida é um presente”, “acredite em milagres”, “Deus gosta de você”). Ainda assim é uma graça, ainda mais se a gente pensar numa velhinha de 90 anos escrevendo tópico por tópico… mas achei a história estranha, porque no final do e-mail tava o seguinte:

It’s estimated that 93% of people who receive this email won’t forward it. If you are one of the 7% who will, forward this with the title ‘7%’.  I’m in the 7%.  Remember, friends are the family we choose for ourselves.

Forward? Mas não era um artigo? Aí pesquisei e descobri que desvirtuaram o texto mesmo, atribuindo-o a uma senhorinha que a gente imagina de óculos e coquinho branco. A jornalista na verdade tem agora 53 anos, e escreveu o texto quando completou 50. Droga! Essa era a graça: uma veinha falando que nosso principal órgão sexual é o cérebro, aconselhando a gente a trabalhar menos, a pagar o cartão…

Acho que vou continuar pensando que foi assim que o texto nasceu. E pronto.

PS: Gosto muito dos itens 11, 19, 32 e 39, e discordo do 14. E vocês?

setembro 17, 2009 · Copy-paste · 5 comments

Jung, o eterno poço de sabedoria e facilitador de insights. Está presente constantemente na minha vida, quando faço a análise dos meus sonhos, mas de vez em quando ele também aparece do nada, na hora certa.

To cut a long story short, ele criou 16 tipos psicológicos – mais tarde aprimorados - segundo os seguintes critérios: Extroversão/Introversão, Sensação/Intuição, Pensamento/Sentimento e Julgamento/Percepção.  O meu é o INFP (introversão, intuição, sentimento e percepção). Coloquei mais sobre o meu tipo no post de baixo, neste post aqui vão as linhas gerais sobre todos os tipos.

DISCLAIMER: ressucitei o assunto inspirada pela Val (INFJ, parecida comigo :). O teste de personalidade e o texto todo aqui colado, a partir do próximo parágrafo, é do Inspira.org. Aos que buscam autoconhecimento: entrem lá e façam o teste!

A primeira dimensão do tipo de personalidade diz respeito a como interagimos com o mundo e, principalmente, onde obtemos e onde dirigimos a nossa energia.

Extrovertidos (E)

  • São energizados quando interagem com outras pessoas
  • Gostam de concentrar sua energia no mundo externo das coisas e pessoas

Introvertidos (I)

  • São energizados quando despendem o tempo sozinhos
  • Gostam de concentrar sua energia no mundo interno das idéias e pensamentos

A segunda dimensão do tipo descreve as duas maneiras diferentes como as pessoas percebem, ou assimilam as informações. Que espécie de informação notamos naturalmente? Algumas pessoas concentram-se no que é, enquanto outras no que é possível.

 Sensoriais (S)

  • Normalmente prestam mais atenção a fatos e detalhes
  • São pessoas mais realistas e práticas

Intuitivos (N)

  • Tentam entender as conexões, significados e implicações
  • São pessoas mais imaginativas e criativas

A terceira dimensão do tipo se relaciona com a maneira como tomamos decisões e chegamos às conclusões. Todos nós apresentamos uma preferência natural inata por tomar decisões baseadas na lógica ou em nossos sentimentos e valores pessoais.

Pensadores (T)

  • Tomam as decisões mais objetivamente, pesando os prós e contras
  • Valorizam a lógica e a justiça; um padrão para todos

Sentimentais (F)

  • Tomam as decisões baseados em como se sentem acerca do assunto e como os outros serão afetados
  • Valorizam a empatia e a harmonia; vêem a exceção para a regra

A quarta dimensão do tipo de personalidade (desenvolvida pelas Briggs) se relaciona a se preferimos viver de uma maneira mais organizada (tomando decisões) ou de uma maneira mais espontânea (assimilando informações).

Julgadores (J)

  • São mais felizes depois que as decisões foram tomadas
  • Tendem a tomar as decisões rápida e facilmente

Perceptivos (P)

  • São mais felizes deixando as suas opções abertas
  • Tendem a sentirem-se ansiosos e inseguros ao tomarem decisões

SP: Sensorial Perceptivo (chamados Artesões)
Tipos: ISFP, ESFP, ISTP, ESTP

SPs desejam estar onde está a ação; eles procuram aventura e anseiam por prazer e estimulação. Marvin Zuckerman, um psicólogo americano, definiu esse tipo como “a personalidade que busca sensação”. Os SPs acreditam que a variedade é o tempero da vida, e que fazer coisas que não são divertidas ou excitantes é uma perda de tempo.

SJ: Sensorial Julgador (chamados Guardiões)
Tipos: ISFJ, ESFJ, ISTJ, ESTJ

SJs são pessoas sensatas, realistas e que são a espinha dorsal das instituições e os verdadeiros estabilizadores da sociedade. Eles acreditam em seguir as regras e cooperar com as autoridades; de fato, eles não se sentem nada bem em improvisar ou causar encrencas.

NF: Intuitivo Sentimental  (chamados Idealistas)
Tipos: INFP, ENFP, INFJ, ENFJ

Os NFs acreditam que a cooperação amigável é a melhor forma para que as pessoas atinjam os seus objetivos. Eles sonham em remover os muros de egoísmo e conflito que dividem as pessoas e têm um talento único para ajudar as pessoas a resolver as suas diferenças e assim trabalharem juntas. Tal harmonia interpessoal poderia ser um ideal romântico, mas os NFs são românticos incuráveis que preferem concentrarem-se no que poderia ser em vez do que no que é.

NT: Intuitivo Pensador  (chamados Racionais)
Tipos: INTJ, ENTJ, INTP, ENTP

Seja qual for o seu campo, os NTs esforçam-se por compreender o mundo natural em toda a sua complexidade. NTs desejam aprender acerca dos princípios abstratos ou leis naturais que descrevem a realidade, como também em descobrir a estrutura e função dos sistemas complexos do mundo; sejam sistemas mecânicos, orgânicos ou sociais. Eles são completamente pragmáticos acerca do como ganharão esse conhecimento.