A estação Faria Lima, minha vizinha, abriu há um tempão. Por fora, bela viola, mas eu ainda não havia ido conhecê-la por dentro.
Toda clean, arquitetonicamente interessante (pra uma leiga como eu), ampla, espaçosa, escadas rolantes inteligentes (que andam mais devagar se percebem que não tem ninguém em cima delas). Aí você chega na plataforma e gente, tem portas antes das portas? Não entendi, a Linha Amarela quer inovar pela menor quantidade de suicídios?
Tirei as fotos na miúda, já que o Metrô enche o saco com essas coisas (mas foto de celular bem que pode)
Depois de passar por duas portas, você entra no vagão. Opa, não tem vagão! O trem é totalmente articulado por aquelas sanfoninhas. Curiosos são os bancos e balaústres brancos e imaculados, por quanto tempo será que vai ficar assim? a) até a Linha Amarela começar a funcionar na hora do rush (porque atualmente ainda é só das 9 às 15h); b) acho que dá pra segurar a limpeza por alguns meses; c) pra sempre, porque o brasileiro é um povo que prima pela limpeza e conservação do espaço público. alguém já viu gente jogando lixo no chão aqui, por acaso?
(e o meu reflexo fantasmagórico)
Em pouquíssimos minutos chega-se à estação Paulista. Resolvi baldear pra Linha Verde só pra ver como era, e anda-se, anda-se, anda-se um monte, tem até aquelas esteiras ultra high tech tipo aeroporto europeu. Andei tanto que pensei “pfff, valia mais a pena ir andando pela rua até a estação Consolação”, sem saber que a baldeação era justamente isso: um caminho subterrâneo até a dita cuja.
A última que eu tinha visto era no aeroporto de Frankfurt #rycah
Não gosto de andar de metrô, avião e meios de transporte que matam nosso senso de distância e não têm paisagem pra curtir da janelinha. Mas ficou TÃO rápido ir de Pinheiros pra Paulista que ando pensando em curtir uma adolescência tardia e voltar da balada na Augusta de transporte público!
Adoro voltar de viagem e deixar um ou dois rolinhos de filme por revelar. Depois de semanas, quando resolvo fazê-lo, vem a surpresa, a sensação de novos velhos momentos que emergem à memória – porque sempre estiveram lá, mas escondidinhos. O exato pensamento na hora do clique, o comentário posterior, “que merda!” ou “acho que eu pisquei”.
Posso sentir a temperatura da água e ver seu grau de transparência com exaditão. Degustar sua doçura. Posso me lembrar da promessa do pôr-do-sol mais incrível da região, interrompida por nuvens que estacionaram ali embaixo, entre o céu e a terra. Que durante a tarde foram transformadas em brincadeira: um sapo, um coelho, um animal deuterostômio. Pecilotérmico. Triblástico. Asfvdfgihjdf.
Mas o vento não pára de soprar, porque a Terra continua a girar. E quis ele que as nuvens fossem parar exatamente naquele lugar, exatamente naquele momento. O céu azul-escuro começou a acender suas estrelas, com as quais eu não estava acostumada, e o vento arrastou aquelas nuvens pra dentro da Floresta Amazônica.
Gosto de passar por épocas intensas, que deixam o cérebro como um computador lerdo nos dias que se seguem. Vários programas pesados abertos ao mesmo tempo. Uns flashes vão sendo relançados à consciência e fica impossível se concentrar em qualquer outra coisa que não a luz do sol brilhando nas folhas das árvores, o rio congelante, o soco na boca do estômago, as longas conversas na pequena sala, os nossos dramas e os dramas alheios, tudo tão misturado e presente.
Será que ter sensações tão diferentes coexistindo dentro de si é parecido com a loucura?
A amplitude de quando somos só um pontinho exatamente no meio do horizonte de 360º ao nosso redor. Aquele papo da gente ser o centro do universo com certeza pertence a um tempo em que as pessoas conseguiam enxergar todo o horizonte em torno de si. Que elas não se sentiam aprisionadas pela visão de prédios em camadas sobrepostas.
O aperto de quando o coração vai se encolhendo, virando de ponta cabeça e sendo espremido até a última gota. Dele não saía esse sumo há tanto tempo que eu nem lembrava mais o gosto. Olha, sacolejou na estrada de terra e respingou um pouquinho aqui. Passei o dedo e lambi, é ácido e doce ao mesmo tempo. É bom.
Eu odeio que me decifrem. Odeio que você me enxergue por dentro de um jeito que pouquíssimos conseguiram. E assim tão rápido que todos esses outros gatos pingados ficaram reduzidos ao ridículo.
“Você é transparente.” Eu odeio ser transparente. Não quero que ninguém me veja por dentro, tem um espaço sagrado em mim que deve ficar intocado. Mas também tem um anseio de que tentem entrar – pra eu descobrir se eu é que sou transparente demais ou se é você que é muito do espertinho.
Imagine que você está fazendo o jantar, liga a tevê e o William Bonner fala que os extrarrestres invadiram a Terra. Você não acredita, entra em pânico, olha para a rua e o caos começa a tomar conta da cidade: pessoas correndo, lojas fechando. Em pouco tempo os ETs aprendem a se comunicar com os terráqueos, daí identificam os políticos, policiais, coronéis e todas essas pequenas autoridades focaultinanas e começam a negociar a compra e posterior abdução de cidadãos comuns, que são levados como mão de obra barata para trabalhar na expansão de galáxias longínquas.
Dias depois o telefone toca, é sua mãe, ela te conta do primeiro conhecido a ser abduzido: o cunhado do vizinho da sua tia. No dia seguinte, você descobre que alguns colegas de trabalho do andar de baixo que faziam hora-extra na noite anterior também foram levados. Depois, um conhecido seu da época de faculdade e toda sua família são levados e separados em três naves distintas, que seguiam para galáxias trilhões de anos-luz distantes entre si. Por fim, o primeiro amigo seu, pessoa que você realmente ama e quer bem, é abduzido também. Você chora, se revolta, sua vida nunca mais será a mesma sem ele. Não se sabe direito pra onde ele vai, se um dia ele vai voltar, não se sabe nada.
Num dia aparentemente mais calmo, você aproveita para ir visitar sua avozinha que não vê há semanas. Além de falar bastante sobre todo o caos do planeta Terra, vocês também falam sobre amenidades, ela te conta sobre o jardineiro folgado que deixou o serviço mal-feito e cobrou os olhos da cara, essas coisas. Afinal, a vida continuou como deu. Aí você começa a ouvir um barulhinho estranho na porta, parece que tem alguém tentando desparafuzar a fechadura, você sente um arrepio na espinha: são eles. Instrumentos eletroeletrônicos totalmente desconhecidos, com feixes de luz e energias de frequências improváveis, te imobilizam e te levam diretamente para a nave. A última cena do Brasil que fica na sua cabeça é o choro desesperado da avozinha, deixada pra trás por já ser idosa e não gozar de suas plenas capacidades físicas e mentais.
A viagem na nave espacial leva semanas. Os humanos são transportados em condições deploráveis, têm que dormir agachados, passam muito frio, muitos adoecem e morrem, outros enlouquecem já no trajeto. É o começo de muitas brutalidades, como o ambiente inóspito das galáxias desconhecidas, a hostilidade dos ETs, a jornada de trabalho de 20h diárias a que seriam submetidos e a mesma tortura que já havia sido vista nas aulas de história. Os ETs sabiam que só um humano pode imaginar o que de pior se pode fazer a outro humano – tronco, garrote, eletrochoques, estupros múltiplos, empalamento, hipotermia por imersão no gelo…
Mesmo nessas condições, você e os outros humanos vão tocando a vida com força e esperança de um dia voltar pra Terra. Enquanto isso, se viram como podem e, mesmo proibidos, os brasileiros dão um jeito de sambar escondidos e ensinar a dança aos descendentes nascidos na nova galáxia, os chineses adaptam ingredientes extraterrestres para compor um novo tipo de yakisoba, os nigerianos cultuam seus orixás discretamente, um grupo de irlandeses fugidos tocam uma gaita de fole que conseguiram trazer escondida por entre bagagens.
Você conseguiu se colocar no lugar dessa pessoa da historinha, levada à força seu país de origem pra tomar porrada sem nenhuma justificativa? Qualquer semelhança com a história da escravidão e do negro no Brasil não é mera coincidência. Essa questão me emocionou durante o mês na Bahia.
Todos os brasileiros vivem esse passado, em maior ou menor escala, porque a cultura afro é grande parte da cultura brasileira. Vai dizer que um gaúcho não samba? Que um matogrossense não come feijoada? Mas é muito mais forte estar lá e sentir ao vivo a capoeira mais perto de seu estado bruto, jogar os búzios num terreiro de candomblé e conversar com a mãe de santo, ouvir diferentes ritmos e instrumentos, aprender mais palavras em yorubá, passear na energia pesada do Pelourinho, comer um acarajé – que por acaso é comida de orixá.
Se o tema interessa, tem que assistir Na Rota dos Orixás, um documentário bem respeitado sobre a diáspora negra. A parte mais interessante é sobre a relação entre o Brasil e o Benim, um pequenino país bem ao lado da Nigéria. Imagine que os descendentes de escravos baianos que voltaram pra lá ainda se consideram brasileiros, são mais claros do que o resto da população (por causa da miscigenação que rolou aqui), sabem falar algumas palavras em português, têm nomes e sobrenomes bem familiares, fazem Carnaval e lavagem do Bonfim todo ano e têm o maior orgulho de ser “bisnetos de brasileiros” – que nem a gente fala aqui que é bisneto de italiano.
É fascinante ver tudo parado no tempo, como era há mais de 100 anos. As roupinhas, as marchinhas rudimentares, as casas em estilo colonial, os costumes à mesa, o pandeiro quadrado, tudo ficou congelado. Nós na mídia deles, só novelas da globo. E a gente, que nem sabe que eles existem? Credo, parece que o Brasil é uma ilha isolada, às vezes. Me lembrou um pouco Portugal, que vem consumindo vorazmente nossa cultura, e a gente mal sabe o que rola lá.
De tudo isso, só concluí uma coisa: carnaval 2011 no Benim! Quem vem?
Estou voltando devagarinho. É pra tentar estender o máximo possível o estado quase zen-budista de serenidade em que eu me encontro, depois de um mês na Bahia. Isso inclui manter distância de certos equipamentos e tipos de mídia, vocês sabem.
Eu acredito que quem está atento e disposto é capaz de aprender até com uma viagenzinha de fim de semana pra Praia Grande. Partindo desse pressuposto, dá pra imaginar como anda minha cabeça agora: um caldeirão borbulhante de novas informações, personalidades, paisagens, cores, sons, sotaques, cheiros, toques, sentimentos. E tudo isso volta durante o dia, em qualquer conversa corriqueira, e à noite também, em sonhos conturbados e difíceis de decifrar.
Mas, mais do que decorar na prática a ordem das praias de todo o litoral baiano, do sul àquele nortinho capcioso que só se alcança a partir de Sergipe, tive profundas lições sobre humanos, relacionamentos, pessoas. Principalmente sobre mim mesma.
Às vezes dói muito.
Mas às vezes brota amor de onde não se espera, amor que te acalanta, que te ensina, te faz chorar, te faz sorrir e, como qualquer amor, te arrebata. E eu, que estou sempre me questionando se sou meio fria, porque costumo não responder a vários eu te amo que ouço de alguns amigos não tão próximos. Não. Sou apenas sincera e conheço a dimensão real dessa palavra. Não existe “amorzinho” nem “amorzão”, existe amor. Mesmo com toda a minha agressividade, intolerância e presunção, o amor brota. É como um milagre.
Esse foi um dos mil pensamentos importantes que tive: continuarei me passando por fria para uns, e me derramando em palavras doces e abraços apertados para outros. O amor é raro; milagres não acontecem todo dia.
Estou voltando devagarinho. Quando puder, escrevo mais. Prometo!
Não é que eu esteja, digamos assim, livre, leve e solta. Não é que eu tenha me libertado de todos os meus problemas internos e das intercorrências da vida, ou me conformado com o lado podre do cerumano. Eu continuo idealista demais, de lua, carente, melancólica. Mas é que agora consigo vislumbrar tantos caminhos. Os caminhos são infinitos. Não no sentido de não chegarem a lugar algum, e sim de serem inúmeros mesmo.
Sobre os caminhos que saem debaixo dos meus pés, acho que eles não são tão simples como os que vemos por aí. Não se trata de comprar um apartamento, um carro e um cachorro e constituir uma família de comercial de margarina. Também não falo de um plano de carreira do tipo gerência < diretoria executiva < superintendência. Chamo de “simples” esses caminhos pelo fato de que já sabemos seu manual de instruções de cor. É ou não é? Já os meus, não os vejo circunscritos a nomes ou classificações. Mas isso também pode ser visto como uma vantagem, porque eles se tornam mais abertos – ainda bem.
Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más; caminante, no hay camino,
se hace camino al andar. Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar.
Não quero e não vou mais me submeter a ideias falsas e limitantes, como ”não tenho mais idade pra isso” ou “nunca vi ninguém fazendo desse jeito”. Conceitos desse tipo também constam no manual de instruções e podem ser um referencial confortável, mas não se esqueça: manuais são úteis para produtos em série, que saem da fábrica exatamente iguaizinhos uns aos outros. E eu acredito que as pessoas que se descolam desse referencial são as que acabam criando as obras mais interessantes.
Em matéria de lirismo, o Ricardo Reis dá um banho em mim.
Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.
……………
A tomada de consciência, as muitas reflexões, as poucas conclusões e os horizontes abertos, nada disso – nem a foto – seria possível sem a Somaterapia. Se você se busca contato com a totalidade do seu ser, vale a pena ler sobre. O Roberto Freire cita esse poema do Antonio Machado no livro Ame e dê Vexame. Tá aí no link, inteirinho e de graça, e é daqueles que se devora em questão de horas. E a água na boca final eu deixo com a seguinte frase: para ser o que realmente somos, só possuímos um indicador: o prazer de viver.
Comecei a pensar sobre essa foto assim que a redescobri, tentando adivinhar em que ponto as imagens se tocavam. Depois de nomear quadro por quadro e dar uns googles, cheguei a algumas conclusões.
1. A música, a melodia: A música, “ao mesmo tempo que tem o poder de acalmar bebês, também dá coragem a soldados”. O seu potencial de comunicação por meio de canais não-verbais é enorme. Se até as plantas comprovadamente crescem e rendem mais ouvindo determinados tipos de música, posso deduzir que a música repercute sobre a mente (emoções, raciocínio) e sobre o corpo também (células, tecidos etc.).
2. O fator tempo: Alguns dizem que o tempo é o melhor remédio. A Bíblia afirma que “tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu”. Até no carnaval de São Luis do Paraitinga tem o bloco do Juca Teles, cuja principal indagação é: como viver sentindo a passagem do tempo? O tempo pode ter um efeito perverso: distanciar-nos da nossa essência, à medida que ele passa freneticamente e não nos damos conta.
3. O cinema, as nossas projeções: No mundo junguiano dos sonhos, o ato de sentar-se na cadeirinha do cinema e ver um filme é uma típica representação de fuga da realidade. Muitas vezes nos identificamos com aquelas imagens, e isso muito determina se gostamos ou não do filme, mas quantos por cento tem aí de idealização, de realização imaginária de um desejo? Até o Edgar Morin falou sobre a projeção-identificação do espectador com o filme e eu descobri esses dias.
4. A comunicação quando se está mais “no outro”: Uma das mais interessantes teorias da comunicação é a espiral do silêncio. Ela se verifica quando tem uma minoria com cagaço de falar e sofrer represálias da maioria. Isso ocorre num movimento de espiral, porque as pessoas têm medo da solidão, de suas opiniões não terem uma boa receptividade – ou seja, o silêncio se retroalimenta.
Ela, a foto, poderia ter um nome grandão: “Quatro Elementos que nos Distanciam de Nós Mesmos (Acidentalmente – e Curiosamente – Em Um Só Fotograma)”
# Com a internet (leia-se e-mail, msn, scrap, twitter) popularizada e as mensagens de texto baratinhas, cada vez mais as pessoas escrevem pra estabelecer uma comunicação. Mesmo assim, parece que ninguém está escrevendo melhor.
# E sim, pelo mesmo motivo, cada vez menos as pessoas conversam. Se há poucos anos economizávamos moedinhas pra fazer uma ligação internacional no domingo à noite, que a tarifa era mais barata, hoje temos toda a parafernalha internética supracitada – só que a qualidade da comunicação não é a mesma. Tête-à-tête > telefone > e-mail e msn > orkut e twitter. Deixei de lado skype e cartas porque ambos não são super populares, eu acho.
# Já o twitter contribui muito com a superficialidade com que tratamos os temas. A pessoa vê aquele monte de links por dia, clica em alguns, lê por cima o texto e se sente super preenchida com um monte de informações aleatórias… o tributo ao Michael Jackson foi cancelado, o 11 de setembro completa 8 anos, começa a Bienal do livro do RJ. Mas e aí, quais foram exatamente as revoluções do Michael Jackson na música pop pra que ele fosse tão aclamado? Como é o histórico do terrorismo nos EUA? Ah, mas você sabia que em Sampa vai ter a Primavera dos Livros, que é muito mais legal por vários motivos? Não digo que precisamos ir a fundo em tudo, não existiriam vidas suficientes pra dar conta. Mas nadar apenas na superfície, sem refletir sobre as coisas, sem estabelecer relações de causa e efeito, nos torna meros espectadores.
# O relativismo dos nossos tempos é irritante. Ok, é uma estratégia pra sobrevivermos (1) ao atual excesso de informações e contradições e (2) ao silêncio e à falta de perspectiva que ecoa em algumas cabeças cansadas por aí. Mas precisamos de um pouco mais de verdades absolutas pra gente conseguir olhar pro mesmo horizonte e fazer algo de bom em conjunto. Urgentemente!
# A leitura nos mostra novos horizontes, ao mesmo tempo em que nos distancia dos nossos. Conhecemos outras realidades, outros pontos de vista… e se não temos os nossos próprios muito bem delimitados, nos perdemos nas possibilidades alheias que não considerávamos antes. “Olha, mas até que isto aqui também é legal, hein”? E se perde por mais 4873 quilômetros até voltar ao ponto inicial. Preguiça… Saber o que queremos de verdade verdadeira, tirando de cima da nossa cabeça todos os lixos que a sociedade impõe ao longo da vida e chegando ao centro do nosso furacão interior, é o nosso maior trunfo sempre!
# A nossa vida não caminha em linha reta, e sim numa espiral. Grosso modo, se a sabedoria oriental já afirmava isso há milhares de anos, quem sou eu pra discordar, não? Viagens à parte, minha abordagem é psicológica e eu já devo ter topado com algo do tipo por aí…
Nota do autor: depois de escrever esse trecho, joguei o tema no Google e saiu um monte de coisa. Não vou nem ler agora pra não me influenciar.
Por que será que chama Caderninho da Hiperatividade? Vou ali meditar um pouco e já volto!
Há algumas coisas morrendo em mim, outras estou matando aos poucos. E muitas renascendo… faz parte dos ciclos da vida, mesmo que eles sejam muito mais demorados do que deveriam, que a gente sofra com a rebarba de experiências que poderiam já estar 100% digeridas, que o recomeço seja penoso.
Uma maneira que eu conheço de agilizar um pouco esses processos de cura é quando a gente conversa com amigos catalisadores. Acho que não preciso dizer como é, você deve saber.
Mas e quando tem um monstrinho disforme lá no seu fundinho, que grita e implora pra sair? E você boicota, finge que não é com você, se engana dizendo que não tem tempo, simplesmente porque não sabe a cara do monstrinho nem como liberá-lo? Não tem amigo catalisador, não tem mãe, pai, papa Bento XVI, não tem quem faça isso por você.
E quando você resolve se empenhar, as tintas demoram muito pra secar, falta um jeito eficaz de prender as folhas, a cor exata não existe naquele jogo de lápis de cor, a borracha rasga o papel… e o monstrinho ali dentro, disputando espaço com os seus órgãos a cotoveladas.