Fotografar a cores, e apenas a cores, parece quase instintivo em muitos fotógrafos. No entanto, a fotografia a preto e branco é «a espinha dorsal» deste meio de expressão. Elimina-se a cor, que tantas vezes é simples fator de distração, e a imagem fotográfica pode falar por si mesma. O preto e branco gera um impacto e uma clareza raramente atingíveis pela cor.

Sem cor, a fotografia está mais longe da realidade. Tal abstração não é necessariamente uma desvantagem; implica, isso sim, uma escolha mais cuidadosa dos temas. E pode ser uma vantagem, porque muitas vezes desloca a ênfase original, centrando-a na própria fotografia. Assim, se as suas fotografias contêm alguma mensagem, talvez se torne mais fácil transmiti-la em preto e branco. Esta é uma das razões porque é ainda mais popular para os repórteres.

O preto e branco pode criar retratos muito mais expressivos. Em cores, as pessoas ficam longe dos pontos mais reveladores do seu caráter. Em preto e branco, a atenção do espectador centra-se na expressão da pessoa, a maneira de colocar a cabeça ou outras indicações da personalidade.

O preto e branco permite sugerir qual o significado da fotografia para o fotógrafo. Pense na razão por que uma predominância de tonalidades clara remete a um caráter de leveza. Pelo contrário, numa fotografia de dominante escura, o ambiente é geralmente muito mais pesado.

Enquanto a cor é uma qualidade visual, o contorno e a textura têm uma componente sentimental muito forte. Por isso, com temas de formas rotundas ou de forte textura, o preto e branco pode atingir um aspecto quase surrealista, particularmente se a iluminação foi calculada para destacar essas qualidades. A famosa fotografia de um pimentão, de Edward Weston, mostra até que ponto este tratamento pode ser espetacular.

weston_pepper_number30

Um filme de grão fino afeta muito pouco a forma de qualquer imagem, mas um grão grosso toma a presença do processo fotográfico esteticamente mais evidente, assim como as pinceladas de uma pintura podem reforçar a imagem. Por exemplo, trabalhando com filme rápido, granuloso, para fotografar escuras nuvens de tempestade, poderá dar-lhes mais peso e presença. Já com um céu normal, um filme de grão fino pode manter a delicadeza de algumas tênues nuvens. A textura do grão é mais aparente nas zonas extensas, de tonalidade uniforme, que formam tons intermédios.

Com filme em cores, são poucas as possibilidades de alterar significativamente a gama de tonalidades, a menos que se abandone o realismo, ao passo que o controle de contraste na fotografia em preto e branco é uma parte fundamental do processo. Pode-se aproveitar o contraste para reforçar o efeito desejado.

À medida que for adquirindo experiência, aprenderá a pensar em preto e branco. Em vez de pensar se a fotografia ficaria melhor ou pior com a inclusão de cor, começará a procurar situações específicas com um bom potencial para preto e branco, e a olhar o mundo não como uma coleção de «coisas» a fotografar – mas como uma serie de formas, texturas, estruturas e contornos. Desenvolva a capacidade de visualizar mentalmente a ampliação final, enquanto observa o tema.

(novamente resumido e adaptado por mim, desta vez daqui)
(e o post é para alguém que vai estar sempre no meu coração :)

maio 12, 2010 · Comentários · 7 comments

Arte, cosa mentale,  já dizia Leonardo da Vinci. A arte é muito mais um processo mental do que uma habilidade de coordenação motora, ela acontece primeiro em nossa mente para posteriormente ser materializada sob alguma forma, seja desenho, pintura, escultura, música…

Se a arte acontece primeiro em nossa mente, o que é necessário para se fazer arte? Para sermos criativos? Simples! Pensar. As idéias são fruto da reflexão sobre a realidade e são estimuladas pela necessidade. No entanto, muitas pessoas ignoram essa obviedade, porque a preguiça mental assola o homem moderno, acostumado às idéias padronizadas. A pessoa criativa pode ser amaldiçoada naquelas culturas que valorizam muito mais a adaptação a um modelo de comportamento culturalmente padronizado.

Uma pessoa criativa busca relacionar vários fatos e teorias espalhadas por sua área de interesse, a fim de chegar a uma síntese coerente e abrangente.

O indivíduo criativo também busca ou é buscado por algumas metáforas dominantes. Essas figuras são imagens de amplo escopo, ricas e suscetíveis à considerável exploração, expondo o investigador a aspectos de fenômenos que poderiam, de outro modo, permanecer invisíveis para ele. (GARDNER, 1999, p. 248)

Segundo Gardner, os artistas possuem uma característica comum, o de valorizar sua subjetividade – o que lhe vai na alma –, experiências, lembranças, recriando estados emocionais. O oferecimento de estímulos certos pode evocar uma torrente de criatividade.

Muitas vezes o processo criativo, as grandes idéias, as descobertas de soluções de problemas se dá através de imagens, metáforas, formas visuais e não-verbais. Na modalidade de processamento de informações características do hemisfério direito, usamos a intuição e compreendemos aos pulos – há momentos em que “tudo parece se encaixar” sem que precisemos examinar as coisas numa seqüência lógica. (EDWARDS, 2003, p. 60 – 61)

A materialização acontece quando você coloca suas idéias no papel sob forma de desenhos, palavras, anotações, desenvolvendo e amadurecendo ainda mais as idéias. Esses esboços podem ser feitos e refeitos várias vezes, modificando-os até atingir um ideal.

Para que a obra exerça verdadeiramente seu papel de Arte, seja fazendo o espectador pensar, refletir, sentir, comunicando idéias, sentimentos, à maneira como o artista vê a Arte e o mundo, a obra precisa ter bons elementos – o artista precisa ter um domínio profundo dos elementos visuais, da linguagem visual e da técnica que vai usar.

Grandes gênios da história, como Picasso e Mozart, conseguiram a excelência de seus trabalhos através de uma incessante pesquisa e experimentação (persistência). Tomas Edison, em uma de suas célebres frases a respeito da criatividade, disse: “Para ter idéias criativas são necessários 1% de inspiração e 99% de transpiração”.

O artista tem o poder de conduzir o espectador para pensar de modo determinado, mas cada indivíduo reage de forma diferente, de acordo com suas experiências, personalidade e estado de ânimo. Mesmo quando um trabalho provoca pensamentos novos, esses serão examinados de acordo com experiências anteriores.

(pragmaticamente resumido e adaptado por mim daqui)

abril 3, 2010 · Comentários, Textos meus · 4 comments

Posso estar generalizando, mas os norteamericanos são umas antas e claro que levariam a mal o clipe novo dessa DEUSA. Pelo que eu entendi, foi meio que uma performance: ela foi tirando a roupa até ficar totalmente nua e simular estar levando um tiro, exatamente no mesmo local onde o JFK foi baleado e morto em 1963. Não tem no Youtube porque, como eu disse, os norteamericanos são uns babacas e o clip tem um suposto conteúdo adulto (mesmo as parrrtes da Erykah Badu estando quadriculadinhas). Mas neste link do uol dá pra assistir.

Cata o que ela fala no finalzinho:

They play it safe and are quick to assassinate what they do not understand. They move in packs, ingesting more and more fear in every act of fear on one another. They feel most comfortable in groups, less guilt to swallow. They are us. This is what we have become, afraid to respect the individual. A single person with inner circumstance can move one to change, to love ourself, and evolve.

Parece que ela quer debater a ideia do groupthinking, ou pensamento de grupo, um conceito da psicologia social de que eu nunca tinha ouvido falar. Ocorre quando uma pessoa não quebra uma coesão e não foge do consenso do grupo em que está inserida, evitando falar o que pensa pra não passar ridículo, não virar o do contra etc. O que me lembra bastante a hipótese da espiral do silêncio que vamos observar bastante este ano, com as eleições que se aproximam…

Um beyjo para Erikah Badu, que é de Dallas mas não é besta!

março 27, 2010 · Comentários, Textos meus · 4 comments

Não tem como eu parar de pensar em você, estou aqui existindo intensamente neste coração pulsante da América Latina.  Leio uma matéria da Revista da Folha sobre nossos novos músicos que, como Adoniram Barbosa e Itamar Assumpção, falam bastante da relação nada glamurosa entre eles e a metrópole. “Autoexaltação nunca foi o forte desta cidade. [...] Gostamos dessa carapuça. Agimos como aquela prima feiosa que, sabendo que não vai ser a gostosa da família, investe em ser ‘a engraçada’ ou ‘a inteligente’ ” (infelizmente esqueci o nome do cara que escreveu isso e não tenho acesso à UOL pra conseguir checar no site da Folha. Caguei).

Eu gosto dessa carapuça também. Sábado de sol e calor, 2 da tarde, Rebouças congestionada. Pega a Capote à direita, desce a Cardeal. Tão ruim quanto. Vira à esquerda, desce a Arthur até o fim, tá melhor. O Largo da Batata se prepara pra receber o metrô, já fincaram o tótem e tudo mais. A fase final dessa reurbanização está aceleradíssima, minha vizinhança está mudando literalmente a cada dia. Andei por lá dois dias seguidos, e já não era a mesma coisa! As vias mudando de mão,  novos acessos a ruas antigas, canteiros com plantinhas chegando de caminhão, praças todas cimentadonas. Sinto um pouco de medo do que o trânsito diário de mais de 34.00o pessoas pode implicar, mas também me anima pensar que alguns dos meus lugares preferidos no mundo estarão mais interligados! A velha ideia de vender o carro ganha força. E a ideia de mudar de casa, que também me ronda a cabeça há algum tempo? Façam suas apostas: semana que vem parece que abre a estação. Será que a venda de Prozac vai cair na capital?

Na cidade de São Paulo, o amor é imprevisível como eu, você e o céu

fevereiro 12, 2010 · Comentários, Textos meus · 1 comment

Claudia Leitte na capa da Rolling Stone

Não me diga, Claudinha! Tá ficando espertinha, hein?

PS. Ao ver uma bolsinha Louis Vutton cujo preço ultrapassa os quatro dígitos estampada nas sugestões de compras da revista, a única conclusão plausível é que a Rolling Stone é a Caras do mundo da música, correto?

fevereiro 8, 2010 · Amo Muito, Comentários · 2 comments

Estou retomando algumas atividades nesta babilônia em chamas, e uma exposição que achei legal de visitar é a Ocupação Chico Science no Itaú Cultural. A Ocupação anterior foi sobre o Paulo Leminski, lembram? O Itaú anda acertando em cheio meus arrrtistas preferidos, então sou bem da suspeita pra falar, mas a obra do cara é revolucionária mesmo. Olha essa música – é uma das coisas mais pesadas, psicodélicas, enigmáticas e envolventes que já ouvi.

A exposição tá criativa e gostosa de circular, tem trechos de músicas pelas paredes, um monte de objetos pessoais relevantes e anotações do próprio punho, depoimentos de amigos, essas coisas. E o espaço da exposição é sempre composto de pequenos ambientes cheios de surpresinhas. Desta vez, tem uma cortina de papel laminado em uma das salas que quase dá pra se perder lá dentro!

Foto by Estadão

A próxima exposição que vou visitar, pra seguir no mesmo clima, vai ser a do J. Borges na Caixa Cultural. Na minha viagem ao Maranhão/Piauí/Pernambuco ano passado ficou faltando passar por Bezerros, sinto que ficou essa lacuna. Lá vou eu me redimir! Ando apaixonada pela cultura brasileira, o negócio não tem fim.

Por fim, meu pedacinho preferido do Manifesto Mangue. Qualquer semelhança com uma certa cidade aí pelo Sudeste brasileiro que anda impermeabilizando seu solo e sua alma há algumas décadas não é mera coincidência…

Emergência! Um choque rápido ou o Recife morre de infarto! Não é preciso ser médico para saber que a maneira mais simples de parar o coração de um sujeito é obstruindo as suas veias. O modo mais rápido, também, de infartar e esvaziar a alma de uma cidade como o Recife é matar os seus rios e aterrar os seus estuários. O que fazer para não afundar na depressão crônica que paralisa os cidadãos? Como devolver o ânimo, deslobotomizar e recarregar as baterias da cidade? Simples! Basta injetar um pouco de energia na lama e estimular o que ainda resta de fertilidade nas veias do Recife.

Se alguém tiver alguma ideia parecida pra estas bandas de cá, liga nói que eu quero por a mão na massa!

novembro 12, 2009 · Comentários · 5 comments

No que concerne ao caso da moça de vestido rosa na Uniban, acho que todos deveriam ler este texto e pronto, assunto encerrado. É tudo que eu gostaria de dizer! Pontos a serem destacados:

  • “A massa não é confiável”, escreveu Freud em Psicologia de massas e análise do eu (1920). (…) O sujeito dissolvido na massa se precipita em atos extremos que jamais – ou sempre? – sonhara praticar.
  • Usar a palavra puta como insulto revela o ressentimento do homem diante do desejo sexual da mulher, quando esse desejo não é voltado para ele.
  • A expulsão de Geisy me parece pura covardia da direção da Uniban: vamos nos livrar de um problema com o qual não sabemos lidar.
  • Se essas manifestações de massa enlouquecidas não são barradas e punidas, as pessoas entendem que estão autorizadas e a barbárie tende a se repetir.
  • O freguês, para o comerciante, tem sempre razão. Só que a universidade, ao se comportar como um comércio, se desmoraliza como instituição de ensino e educação.
  • Quando Geisy se defende dizendo “eu me visto como quero e como me sinto bem”, ela nem se dá conta de que está tentando corresponder ao padrão de hipersensualidade que vê na publicidade, nas novelas, nos filmes comerciais etc.
  • Se a Geisy tinha uma festa mais tarde poderia ter levado o vestido na bolsa e trocado depois das aulas, mas, pelo depoimento dela, me parece que a moça não tem a menor noção da diferença entre, por exemplo, a faculdade e a balada.
  • Ela me pareceu, em sua posição isolada, tão tonta e tão alienada quanto a turba que não soube dar uma expressão civilizada ao seu descontentamento.
  • A conclusão ficaria por conta de Hannah Arendt: quando o pensamento torna-se supérfluo, abre-se o caminho para a banalidade do mal.

Ou seja, tudo errado: a Geisy (que se erotiza pra se encaixar num padrãozinho escroto), a Uniban (que se posicionou com seguidas atitudes completamente antieducacionais) e, claro, os linchadores (“a moral tradicional” que “explodiu na Uniban com a fúria do retorno do recalcado”).

Geisy, um último recadinho pra você, amyga: pelo amor de Deus, não saia na Playboy!!!

outubro 16, 2009 · Comentários, Textos meus · 5 comments

Vejo cada vez mais gente escrevendo sobre o individualismo exacerbadíssmo dos nossos tempos. É um assunto que me interessa bastante e que me cutuca  há muitos anos, quando diariamente eu queria sair dando bica em quem estacionava na frente da porta do metrô e atravancava a passagem. São mil variações do mesmo tema: fulano que se escora no balaústre inteirinho, que desrespeita os assentos reservados, que não dá passagem no trânsito a alguém que pede cordialmente, que te fecha e se enfia na sua frente só porque ligou a seta… é a mulher que se entope de perfume e te impõe o cheiro dela, o idiota que liga o som do carro numa altura ensurdecedora e te obriga a ouvir a música dele. É o cocô de cachorro de madame que não foi limpado, é a celebridade que pisa e quase esmigalha seu pé numa festa, olha pra sua cara e não pede desculpa, porque você não é ninguém (essa já aconteceu comigo).

Eu poderia ficar até as Olimpíadas de 2016 (pfff) citando situações semelhantes que acontecem a todo momento, em todos os graus, em todos os lugares – bem, não fui à Birmânia pra saber, mas vocês entenderam: situações fruto do pensamento arraigado à cultura da qual participamos. Juro que não consigo entender como as pessoas podem agir assim. Pra mim, é TÃO óbvio que vivemos no meio de milhões de indivíduos, que a situação é delicada e que, se não tivermos parcimônia e não agirmos com justiça, a coisa não vai funcionar de uma forma mais organizada, harmônica e eficaz para TODOS. Por isso, eu bem que tento ter atitudes corretas e não-umbiguistas em relação ao máximo de itens que eu puder.

Claro, não posso deixar de mencionar aqui que sou um cerumano regido por seus hormônios, pela lua, pela relatividade do cosmos, pela flutuação do câmbio, pela saída da cama com o pé esquerdo, enfim, por motivos muitas vezes osbscuros e parciamente desconhecidos – como qualquer cerumano. Volta e meia fico puta com o fulano que usa egoisticamente seu escudo de metal (vulgo carro – deve ser parte integrante do seu kit de super-herói) pra se enfiar na minha frente, como se fosse óbvio que ele tem esse direito. Aí mando pra puta que pariu, não dou passagem, se possível ainda arrumo briga. Um dos meus objetivos de vida é exercitar a tolerância e a paciência pra poder viver melhor nesta selva, mas muitas vezes não dá. Não rola meeesmo.

No Saturnália, uma das minhas leituras diárias, fizeram um mini muro das lamentações com essa temática ontem. O Leonardo Boff publicou hoje um artigo sobre o individualismo. Na Folha Equilíbrio de ontem, dois textos (um da Roseli Sayão, educadora, e outro da Dulce Critelli, terapeuta) abordaram a falta de espírito de coletividade entre as pessoas. Aliás, transcrevo aqui um trecho desse último, digníssimo de nota:

O que nos falta é o sentimento de termos um mundo em comum. Não nos sentimos pertencer, em conjunto, ao mesmo mundo. Por isso, problemas da realidade, aí fora, não nos afetam.
Assim, entendemos que os problemas do país são de responsabilidade dos políticos, os de saúde, da alçada dos médicos… Reconhecemos como nossos somente os problemas que nos afetam diretamente.
Parecemos viver dentro de bolhas particulares. A perda do sentimento de pertencermos a um mundo comum nos mantém isolados uns dos outros e cada vez mais incomunicáveis.
A violência urbana e a dinâmica do universo profissional corroboram com isso. Exercemos, hoje, muito melhor a competição do que a solidariedade. O problema maior é que, quando perdemos o sentido de um mundo em comum, ficamos mortalmente atingidos na nossa condição humana. Os homens não foram criados para que vivessem sozinhos.

Percebem que são quatro textos com abordagem bem semelhante, publicados quase simultaneamente? Então menos mal, eu não devo ser a única que pensa nisso. E, a exemplo dos textos que não param de pipocar, talvez a quantidade de gente que preza por essas questões esteja aumentando. Agora, a pergunta de um milhão de doletas: como ajudar a conscientizar o resto do mundo?

outubro 12, 2009 · Comentários, Textos meus · 4 comments

Recebo o seguinte e-mail, em tréplica àquele famoso “INCENTIVO À VAGABUNDAGEM” que tá rolando por aí:

Não é tudo culpa só do do Lula. A culpa é dele, dos que votam nele, dos que acreditam nele e dos que não fazem nada para transformar esse país num país sério… ou seja… a culpa é de todos nós… independente de classe, filosofia ou opinião. Engraçado que na apresentação da candidatura do Rio de Janeiro para as Olimpíadas não apareceu nenhuma favela… será que a urbanização de todas elas também faz parte do pacote de  30 bilhões? Eu não torço contra o Brasil. Muito pelo contrário. Torço para o que eu acho certo. Torço para que se respeite uma ordem de prioridades. Torço para que o o governo faça a restituição do imposto de renda não só para mim, que sou da classe média e nem estou contando com esse dinheiro, mas para todos. Dar calote no povo (todas as classes) enquanto emprestam 10 bilhões ao FMI é ultrajante.. . quer dizer… deve ser apenas mais um delírio da classe média… rs
OBS: gostei muito da idéia de repudiar a opinião de uma pessoa, com a qual não concorda, com argumentos psicossomáticos. .. é muito mais fácil (e deselegante) considerar que nosso adversário é louco ou sofreu uma lavagem cerebral… e vamos continuar rindo de nós mesmos… enquanto esse país de merda vai de mal a pior.

Psicossomático? Isso tem a ver com o fato de eu ter mandado o link do Classe média way of life pra ele, como resposta ao “INCENTIVO À VAGABUNDAGEM”? Haha. Mas que ele mandou um  “vamos continuar rindo” pra pessoa errada, ahhh, isso ele mandou…

Vou me ater ao assunto do primeiro email, deixando de lado as olimpíadas, o FMI etc, só pra não fugir do tema, ok?

Fulano,você argumenta que este país não é sério pq tiram dinheiro da classe média pra dar a vagabundos. Só que, se for assim mesmo, todos os países da Europa Ocidental também não são sérios, porque em todos eles existem programas bem semelhantes. E eu conheço – pessoalmente – muitos nativos que preferem viver desempregados na Espanha ou na Irlanda a pegar um trabalhinho merda qualquer, porque o dinheiro do governo dá pra passar o mês. Apertado, mas dá.

E aí, a Europa não é séria também?

O que não podemos fazer é duvidar dos benefícios de um programa do governo por causa de uma minoria de má-fé que se aproveita dele pra tirar vantagem. O que, aliás, a classe mérdia também sabe fazer muito bem, não? Subornando o CET pra não tomar multa, fazendo esquema com o cara da NET pra instalar gato em casa… ninguém passa impune, meus caros. Nem a que escreve o email.

O Bolsa Família e afins têm problemas sim… pode ser uma medida paternalista, inclusive descobriram que vários políticos estão inscritos no programa e recebendo a grana… mas é indiscutível que tirou um monte de gente da miséria absoluta, e mais uma vez falo com conhecimento de causa: este ano fiz uma viagem ao sertãozão do Nordeste e conversei com gente PAUPÉRRIMA, que antes não tinha nem água, e agora pelo menos tem o que comer.

Agora me digam, como podemos nos revoltar contra um programa que tira uns trocados mensais nossos pra dar COMIDA a quem não tem nem isso? Tá na base da pirâmide de Maslow, conforme vcs estudaram e sabem: comida vem antes da grana pra pagar o estacionamento. Acho que se revoltar contra isso é muito desamor, é não conseguir pensar no coletivo, é dificuldade de se colocar no lugar de outro ser humano. Bem se sabe que vivemos em umas das épocas mais difíceis da história, em que mais falta cooperação e sobra individualismo.

Não sei quanto a você, mas eu não estou rindo nem um pouco. Mas eu sei que tem gente que ri sim, são as mesmas que olhariam o tamanho deste email e pensariam “vishh nem vô ler ó”. Como todo assunto polêmico, não existe verdade absoluta, por isso digo este é o meu ponto de vista – mas podemos debater “elegantemente” pra levantar mais ideias e esclarecimentos.

OBS: Não entendi o que vc chama de argumentos psicossomáticos, mas se o q vc queria era um e-mail com uma argumentação mais clássica, ei-lo!

setembro 24, 2009 · Comentários, Copy-paste · 4 comments

Recebi um email com o título acima, cheio de tópicos bonitinhos/auto-ajuda feelings, escrito por uma jornalista que acabara de completar 90 anos.

Regina’s 45 life lessons and 5 to grow on
Written By Regina Brett, of The Plain Dealer, Cleveland, Ohio

To celebrate growing older, I once wrote the 45 lessons life taught me. It is the most-requested column I’ve ever written. My odometer rolls over to 90 this week, so here’s an update:

1. Life isn’t fair, but it’s still good.
2. When in doubt, just take the next small step.
3. Life is too short to waste time hating anyone.
4. Don’t take yourself so seriously. No one else does.
5. Pay off your credit cards every month.
6. You don’t have to win every argument. Agree to disagree.
7. Cry with someone. It’s more healing than crying alone.
8. It’s OK to get angry with God. He can take it.
9. Save for retirement starting with your first paycheck.
10. When it comes to chocolate, resistance is futile.
11. Make peace with your past so it won’t screw up the present.
12. It’s OK to let your children see you cry.
13. Don’t compare your life to others’. You have no idea what their journey is all about.
14. If a relationship has to be a secret, you shouldn’t be in it.
15. Everything can change in the blink of an eye. But don’t worry; God never blinks.
16. Life is too short for long pity parties. Get busy living, or get busy dying.
17. You can get through anything if you stay put in today.
18. A writer writes. If you want to be a writer, write.
19. It’s never too late to have a happy childhood. But the second one is up to you and no one else.
20. When it comes to going after what you love in life, don’t take no for an answer.
21. Burn the candles, use the nice sheets, wear the fancy lingerie. Don’t save it for a special occasion. Today is special.
22. Overprepare, then go with the flow.
23. Be eccentric now. Don’t wait for old age to wear purple.
24. The most important sex organ is the brain.
25. No one is in charge of your happiness except you.
26. Frame every so-called disaster with these words: “In five years, will this matter?”
27. Always choose life.
28. Forgive everyone everything.
29. What other people think of you is none of your business.
30. Time heals almost everything. Give time time.
31. However good or bad a situation is, it will change.
32. Your job won’t take care of you when you are sick. Your friends will. Stay in touch.
33. Believe in miracles.
34. God loves you because of who God is, not because of anything you did or didn’t do.
35. Whatever doesn’t kill you really does make you stronger.
36. Growing old beats the alternative – dying young.
37. Your children get only one childhood. Make it memorable.
38. Read the Psalms. They cover every human emotion.
39. Get outside every day. Miracles are waiting everywhere.
40. If we all threw our problems in a pile and saw everyone else’s, we’d grab ours back.
41. Don’t audit life. Show up and make the most of it now.
42. Get rid of anything that isn’t useful, beautiful or joyful.
43. All that truly matters in the end is that you loved.
44. Envy is a waste of time. You already have all you need.
45. The best is yet to come.
46. No matter how you feel, get up, dress up and show up.
47. Take a deep breath. It calms the mind.
48. If you don’t ask, you don’t get.
49. Yield.
50. Life isn’t tied with a bow, but it’s still a gift. 

Como é uma lista pessoal, tenho problemas com alguns dos conceitos envolvidos (“a vida é um presente”, “acredite em milagres”, “Deus gosta de você”). Ainda assim é uma graça, ainda mais se a gente pensar numa velhinha de 90 anos escrevendo tópico por tópico… mas achei a história estranha, porque no final do e-mail tava o seguinte:

It’s estimated that 93% of people who receive this email won’t forward it. If you are one of the 7% who will, forward this with the title ’7%’.  I’m in the 7%.  Remember, friends are the family we choose for ourselves.

Forward? Mas não era um artigo? Aí pesquisei e descobri que desvirtuaram o texto mesmo, atribuindo-o a uma senhorinha que a gente imagina de óculos e coquinho branco. A jornalista na verdade tem agora 53 anos, e escreveu o texto quando completou 50. Droga! Essa era a graça: uma veinha falando que nosso principal órgão sexual é o cérebro, aconselhando a gente a trabalhar menos, a pagar o cartão…

Acho que vou continuar pensando que foi assim que o texto nasceu. E pronto.

PS: Gosto muito dos itens 11, 19, 32 e 39, e discordo do 14. E vocês?