Fotografar a cores, e apenas a cores, parece quase instintivo em muitos fotógrafos. No entanto, a fotografia a preto e branco é «a espinha dorsal» deste meio de expressão. Elimina-se a cor, que tantas vezes é simples fator de distração, e a imagem fotográfica pode falar por si mesma. O preto e branco gera um impacto e uma clareza raramente atingíveis pela cor.
Sem cor, a fotografia está mais longe da realidade. Tal abstração não é necessariamente uma desvantagem; implica, isso sim, uma escolha mais cuidadosa dos temas. E pode ser uma vantagem, porque muitas vezes desloca a ênfase original, centrando-a na própria fotografia. Assim, se as suas fotografias contêm alguma mensagem, talvez se torne mais fácil transmiti-la em preto e branco. Esta é uma das razões porque é ainda mais popular para os repórteres.
O preto e branco pode criar retratos muito mais expressivos. Em cores, as pessoas ficam longe dos pontos mais reveladores do seu caráter. Em preto e branco, a atenção do espectador centra-se na expressão da pessoa, a maneira de colocar a cabeça ou outras indicações da personalidade.
O preto e branco permite sugerir qual o significado da fotografia para o fotógrafo. Pense na razão por que uma predominância de tonalidades clara remete a um caráter de leveza. Pelo contrário, numa fotografia de dominante escura, o ambiente é geralmente muito mais pesado.
Enquanto a cor é uma qualidade visual, o contorno e a textura têm uma componente sentimental muito forte. Por isso, com temas de formas rotundas ou de forte textura, o preto e branco pode atingir um aspecto quase surrealista, particularmente se a iluminação foi calculada para destacar essas qualidades. A famosa fotografia de um pimentão, de Edward Weston, mostra até que ponto este tratamento pode ser espetacular.
Um filme de grão fino afeta muito pouco a forma de qualquer imagem, mas um grão grosso toma a presença do processo fotográfico esteticamente mais evidente, assim como as pinceladas de uma pintura podem reforçar a imagem. Por exemplo, trabalhando com filme rápido, granuloso, para fotografar escuras nuvens de tempestade, poderá dar-lhes mais peso e presença. Já com um céu normal, um filme de grão fino pode manter a delicadeza de algumas tênues nuvens. A textura do grão é mais aparente nas zonas extensas, de tonalidade uniforme, que formam tons intermédios.
Com filme em cores, são poucas as possibilidades de alterar significativamente a gama de tonalidades, a menos que se abandone o realismo, ao passo que o controle de contraste na fotografia em preto e branco é uma parte fundamental do processo. Pode-se aproveitar o contraste para reforçar o efeito desejado.
À medida que for adquirindo experiência, aprenderá a pensar em preto e branco. Em vez de pensar se a fotografia ficaria melhor ou pior com a inclusão de cor, começará a procurar situações específicas com um bom potencial para preto e branco, e a olhar o mundo não como uma coleção de «coisas» a fotografar – mas como uma serie de formas, texturas, estruturas e contornos. Desenvolva a capacidade de visualizar mentalmente a ampliação final, enquanto observa o tema.
(novamente resumido e adaptado por mim, desta vez daqui)
(e o post é para alguém que vai estar sempre no meu coração :)


