… Ogum, Ogan, Portishead, Racionais…
Milhares de fieis celebram dia de São Jorge no Rio de Janeiro
Será que ser brasileiro é ter em sua essência a tendência de misturar tudo?
(vídeo via Saturnália)
Graças ao Jerry, meu consultor irlandês de assuntos nórdicos, conheci essa banda chamada Lau.
Lau is an Orcadian word meaning “natural light”. Orcadians, who reside primarily on the Orkney Islands in North-East Scotland, are the descendants of Celtic Picts. The Celtic Picts are a Celtic tribe derived from the Gaels of Ireland (an ethno-linguistic group which originates in Ireland but spread to many Celtic nations).
Coincidência ou não, eu morei na Galícia, uma das quatro regiões autônomas da Espanha, ocupada muitos anos antes de cristo pelos celtas. Pra todo lado que a gente vai, existem referências a esse povo milenar. Nossa balada preferida era a Casa das Crechas, onde toda quarta-feira tinha música folclórica ao vivo. Um deleite! Não dá pra dizer que é música celta pura, porque ela certamente sofreu influência de vários espanholismos (os músicos tocam desde gaita de fole até cajón flamenco), mas é bem próxima pra ouvidos latinoamericanos como os nossos.
Como a lei de murphy é verdadeira, e eu aposto que um dia ela vai ser provada cientificamente, eu tinha a aula mais difícil do semestre às quintas-feiras – o Dia Internacional da Ressaca. Mas isso eu conto depois, hehe.
Assim eu aprendi a adorar esses sons, que me soam tão nostálgicos que dá até arrepio na espinha. Então, pra quem gosta de folk, cola lá: http://www.myspace.com/laumusic
Pra sentir a pegada da música folclórica celta com os espanholismos, letras cantadas em galego e um toque de muderrrnidade, Berrogueto é o nome: http://www.myspace.com/berroguetto
ps. se você teve paciência de assistir o videozim da Casa das Crechas no YouToba, acredite: é daquele jeitinho mesmo, e quando eles tocam essa música (Muñeira de Pontesampaio), todos vão se abaixando, abaixando, até que explode o refrão e todo mundo pula :)
Quantas coisas podem ser feitas em três semanas sem internet? Ler um livro e meio, organizar todos os gigas de mp3 no iTunes, encontrar pessoas ausentes por anos, fazer dois cursos de curta duração, voltar à capoeira, assistir o enésimo filme do mês, pegar o primeiro frila da vida do desemprego, ir a um show e ouvir as músicas preferidas, assistir a uma boa peça de teatro (raridade)? E sempre com aquele lance de que, quando a gente tá com um assunto recorrente na cabeça, ele fica se confirmando toda hora pelas coisas aleatórias que vão pipocando no nosso caminho.
Timothy Treadwell: Most times I am a kind warrior out here, occasionally I am challenged, in that case the kind warrior must must must become a samurai.
Clarice Lispector: a bondade é um pedaço de carne morna e leve, cheirava a carne crua guardada há muito tempo. Sem apodrecer inteiramente apesar de tudo. Refrescavam-na de quando em quando, botavam um pouco de tempero, o suficiente para conservá-la um pedaço de carne morna e quieta.
Céu: Don’t take my kindness for weakness!
Bretch: como ser bondoso sem submeter os próprios desejos – e necessidades – à ganância alheia?
Muito assunto pra botar em dia. Segura!
Com minha internet pifada há quase uma semana, chegou a hora de lançar mão de uma tática de guerra: um post visual que tava na pastinha “PRÓXIMOS POSTS” do desktop há mais tempo ainda. Com vocês, mais um da categoria Amo Muito – o arrrtista Daniele Buetti!
How can I know the truth about death?
Is sex work real work?
Does intensity always find its medium?
Does killing time damage eternity?
What can I do for my salvation?
If there were a public execution on television, would I watch it?
If I could erase one memory, what would it be?
Where does strenght como from: pain or lack of vulnerability?
Would you like to be innocent?
What do you feel guilty for?
How much is my body worth?
How can the drops of water know themselves to be a river?
Is failure an option?
What shall I hope for?
What is my mission down here?
Soco no estômago!
Estou retomando algumas atividades nesta babilônia em chamas, e uma exposição que achei legal de visitar é a Ocupação Chico Science no Itaú Cultural. A Ocupação anterior foi sobre o Paulo Leminski, lembram? O Itaú anda acertando em cheio meus arrrtistas preferidos, então sou bem da suspeita pra falar, mas a obra do cara é revolucionária mesmo. Olha essa música – é uma das coisas mais pesadas, psicodélicas, enigmáticas e envolventes que já ouvi.
A exposição tá criativa e gostosa de circular, tem trechos de músicas pelas paredes, um monte de objetos pessoais relevantes e anotações do próprio punho, depoimentos de amigos, essas coisas. E o espaço da exposição é sempre composto de pequenos ambientes cheios de surpresinhas. Desta vez, tem uma cortina de papel laminado em uma das salas que quase dá pra se perder lá dentro!
A próxima exposição que vou visitar, pra seguir no mesmo clima, vai ser a do J. Borges na Caixa Cultural. Na minha viagem ao Maranhão/Piauí/Pernambuco ano passado ficou faltando passar por Bezerros, sinto que ficou essa lacuna. Lá vou eu me redimir! Ando apaixonada pela cultura brasileira, o negócio não tem fim.
Por fim, meu pedacinho preferido do Manifesto Mangue. Qualquer semelhança com uma certa cidade aí pelo Sudeste brasileiro que anda impermeabilizando seu solo e sua alma há algumas décadas não é mera coincidência…
Emergência! Um choque rápido ou o Recife morre de infarto! Não é preciso ser médico para saber que a maneira mais simples de parar o coração de um sujeito é obstruindo as suas veias. O modo mais rápido, também, de infartar e esvaziar a alma de uma cidade como o Recife é matar os seus rios e aterrar os seus estuários. O que fazer para não afundar na depressão crônica que paralisa os cidadãos? Como devolver o ânimo, deslobotomizar e recarregar as baterias da cidade? Simples! Basta injetar um pouco de energia na lama e estimular o que ainda resta de fertilidade nas veias do Recife.
Se alguém tiver alguma ideia parecida pra estas bandas de cá, liga nói que eu quero por a mão na massa!
Eu amo muito mesmo, até abri uma nova catIgUria aqui no blog. Eu queria ter conhecido ele. Eu queria ter sido ele! Na sua maneira de ser meio errado, o cara deu totalmente certo. Descendente de polonês com negro, poliglota, virginiano com lua em escorpião (yeah), de companhias ilustres tipo Caetano e Gil, se casou na contramão em pleno ano de 1968, era zen-budista, perdeu um filho e morreu de cirrose.
o pauloleminski
é um cachorro louco
que deve ser morto
a pau a pedra
a fogo a pique
senão é bem capaz
o filhadaputa
de fazer chover
em nosso piquenique
Ele manjava de latim e grego, escrevia prosa, poesia, traduções, haikais e biografias, brincava com a metalinguagem, tinha ótimos parceiros que completavam seus poemas com grafismos, e transitava entre o lirismo e a crítica com a maior naturalidade – isso pra mim é TÃO fascinante!
minha cabeça cortada
joguei na tua janela
noite de lua
janela aberta
bate na parede
perdendo dentes
cai na cama
pesada de pensamentos
talvez te assustes
talvez a contemples
contra a lua
buscando a cor de meus olhos
talvez a uses
como despertador
sobre o criado-mudo
não quero assustar-te
peço apenas um tratamento condigno
para essa cabeça súbita
de minha parte
Neste site tem várias coisinhas legais, textos, vídeos, vale a visita. A exposição acabava este fim de semana e eu tive a pachorra de acordar cedinho num domingo nublado pra não perdê-la. [ok, me acordaram, mas valeu a pena de qualquer forma :]
me enterrem com os trotskistas
na cova comum dos idealistas
onde jazem aqueles
que o poder não corrompeu
me enterrem com meu coração
na beira do rio
onde o joelho ferido
tocou a pedra da paixão
Se deixar, fico colando os poemas dele aqui até amanhã de manhã. Então fiquem com este curtinho, e qualquer semelhança com o post de baixo não é mera coincidência. Não mesmo!
isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além
Não costumo indicar aqui os meus discos/filmes/livros favoritos. E é por isso, pro meu depoimento ganhar mais força, que abro uma exceção para este cerumano (sim, aí vem mais um dos meus horrorosos releases)!
Tudo começou em 2005, ano de estreia desta divina cantora e compositora. Em 2007, seu álbum começou a ser vendido nos Starbucks de todos os EUA, o que lhe rendeu uma visibilidade enorme na gringa – incluindo posições altíssimas nos rankings da Billboard e uma indicação ao Grammy Latino. Era uma Céu estreante, moleca, misturando mpb (o que seria isso mesmo?) a afrobeats, jazz, blues, reggae e toda sorte de ritmos interessantes de uma forma inovadora. Inovadora means: diferente do clichê atual e crescente da mistureba de mpb com alguma outra coisa.
Aí ela ficou 4 anos na miúda, sem pressa, pra lançar seu segundo álbum. O que parecia difícil se concretizou: ela levou sua mistureba boa às últimas consequências e saíram músicas mais envolventes e refinadas ainda, cantadas por uma Céu mais mulher e com a mesma voz celestial (sem trocadalhos).
Ela também escolhe e executa bem as releituras. No primeiro álbum, a versão de Concrete Jungle (do Bob Marley) é a música que eu escolheria pra ouvir pro resto da vida. É o caso típico de releitura que fica melhor que a original. No segundo álbum, a versão de Rosa Menina Rosa (do Jorge Ben) mantém a delicadeza e acrescenta uma certa psicodelia.
Eu já fui a 3459 shows dela, que costumam ser super acessíveis (nos Sesc da vida e tal). Então, posso acrescentar que no palco ela é aquela tímida charmosa, que não chega nem perto de ser espalhafatosa, mas que também não se esconde. E, como se não bastasse, a piranha ainda é bela. Belíssima. De doer. De dar inveja mesmo!
PS. O título eu não inventei, é um trechinho da Wikipedia em inglês :)













