Vejo cada vez mais gente escrevendo sobre o individualismo exacerbadíssmo dos nossos tempos. É um assunto que me interessa bastante e que me cutuca há muitos anos, quando diariamente eu queria sair dando bica em quem estacionava na frente da porta do metrô e atravancava a passagem. São mil variações do mesmo tema: fulano que se escora no balaústre inteirinho, que desrespeita os assentos reservados, que não dá passagem no trânsito a alguém que pede cordialmente, que te fecha e se enfia na sua frente só porque ligou a seta… é a mulher que se entope de perfume e te impõe o cheiro dela, o idiota que liga o som do carro numa altura ensurdecedora e te obriga a ouvir a música dele. É o cocô de cachorro de madame que não foi limpado, é a celebridade que pisa e quase esmigalha seu pé numa festa, olha pra sua cara e não pede desculpa, porque você não é ninguém (essa já aconteceu comigo).
Eu poderia ficar até as Olimpíadas de 2016 (pfff) citando situações semelhantes que acontecem a todo momento, em todos os graus, em todos os lugares – bem, não fui à Birmânia pra saber, mas vocês entenderam: situações fruto do pensamento arraigado à cultura da qual participamos. Juro que não consigo entender como as pessoas podem agir assim. Pra mim, é TÃO óbvio que vivemos no meio de milhões de indivíduos, que a situação é delicada e que, se não tivermos parcimônia e não agirmos com justiça, a coisa não vai funcionar de uma forma mais organizada, harmônica e eficaz para TODOS. Por isso, eu bem que tento ter atitudes corretas e não-umbiguistas em relação ao máximo de itens que eu puder.
Claro, não posso deixar de mencionar aqui que sou um cerumano regido por seus hormônios, pela lua, pela relatividade do cosmos, pela flutuação do câmbio, pela saída da cama com o pé esquerdo, enfim, por motivos muitas vezes osbscuros e parciamente desconhecidos – como qualquer cerumano. Volta e meia fico puta com o fulano que usa egoisticamente seu escudo de metal (vulgo carro – deve ser parte integrante do seu kit de super-herói) pra se enfiar na minha frente, como se fosse óbvio que ele tem esse direito. Aí mando pra puta que pariu, não dou passagem, se possível ainda arrumo briga. Um dos meus objetivos de vida é exercitar a tolerância e a paciência pra poder viver melhor nesta selva, mas muitas vezes não dá. Não rola meeesmo.
No Saturnália, uma das minhas leituras diárias, fizeram um mini muro das lamentações com essa temática ontem. O Leonardo Boff publicou hoje um artigo sobre o individualismo. Na Folha Equilíbrio de ontem, dois textos (um da Roseli Sayão, educadora, e outro da Dulce Critelli, terapeuta) abordaram a falta de espírito de coletividade entre as pessoas. Aliás, transcrevo aqui um trecho desse último, digníssimo de nota:
O que nos falta é o sentimento de termos um mundo em comum. Não nos sentimos pertencer, em conjunto, ao mesmo mundo. Por isso, problemas da realidade, aí fora, não nos afetam.
Assim, entendemos que os problemas do país são de responsabilidade dos políticos, os de saúde, da alçada dos médicos… Reconhecemos como nossos somente os problemas que nos afetam diretamente.
Parecemos viver dentro de bolhas particulares. A perda do sentimento de pertencermos a um mundo comum nos mantém isolados uns dos outros e cada vez mais incomunicáveis.
A violência urbana e a dinâmica do universo profissional corroboram com isso. Exercemos, hoje, muito melhor a competição do que a solidariedade. O problema maior é que, quando perdemos o sentido de um mundo em comum, ficamos mortalmente atingidos na nossa condição humana. Os homens não foram criados para que vivessem sozinhos.
Percebem que são quatro textos com abordagem bem semelhante, publicados quase simultaneamente? Então menos mal, eu não devo ser a única que pensa nisso. E, a exemplo dos textos que não param de pipocar, talvez a quantidade de gente que preza por essas questões esteja aumentando. Agora, a pergunta de um milhão de doletas: como ajudar a conscientizar o resto do mundo?
Respondendo a questão, passo a passo:
1) Dê uma enxugada nesse post – porque grande parte das pessoas que realmente necessitam dele não tem paciência para ler além do primeiro parágrafo, embora, claro, a culpa não seja do texto.
2) Acrescente ao final algo assim: “Mande para 4.978 pessoas nos próximos 5 minutos ou você terá azar e viverá sozinho(a) pro resto da sua vida. Não guarde essa mensagem!”
3) Envie por email para 4.978 pessoas.
Brincadeiras à parte, adorei o post. Aliás, o blog.
Creio que a raiz desse mal (individualismo exacerbado) seja a falta de educação. Ou Educação, sei lá. Pessoas bem educadas geralmente são solidárias. Ou não?
Em tempo 1: eu odeio correntes! rsrsrs
Em tempo 2: ganhei as doletas???
Rainha do respeito foi muito #fail né? mas é que eu sou bem cricri mesmo!
Gatón tb não entende quem não pára na porta e pede licença para adentrar. Creio pq é absurdo.
Q bom q viu o texto do Boff. Achei q vc gostaria de ver.
Realmente, acho q se encontrássemos a resposta dessa pergunta teríamos um mundo bem diferente…
Ai gata… sabe quantas vezes já falei sobre o egocentrismo nos meus incontáveis blogues? Sabe quantas vezes já quebrei o pau com pessoas da minha casa por conta disso? Eu sou a rainha do respeito, embora também me enfeze com frequência, e acho que não dá pra ensinar pra ninguém que não tenha menos de 8 anos de idade e bons exemplos a seguir.