agosto 4, 2008 · Amo Muito

Ando sobre meus ombros sentindo os pesos dos meus passos – a palma de meus pés. Miro o passado e o desacerto. Esse fio que me puxa e eu que puxo esse fio que ata uma vida inteira. Como pode agora ser tão escuro? Estou implodida há séculos e tenho medo do escuro e tenho medo dos fantasmas da minha voz. Quem caminha em mim sabe o escuro e os olhos baixos. Eu sobre os meus ombros procuro em vão um corrimão – o espaço entre o fio e o – no limite estou viva – no limite estou morta. No limite – o passado que me arrasta está sufocado por sobre o muro. Ando sobre meus ombros colegiais implodidos e a luz verde revela minha pergunta. Quanto mais me escondo, mais me vêem, e se me vêem, mais me escondo. Como começar a? Por quem começar a? Milênios de sufocamento tentam caber em meus ombros e eu só sei doer de madrugada quando ninguém me vê.

Esse espetáculo da Cia Corpos Nômades foi uma das coisas mais sensacionais a que assisti nos últimos tempos. Requer um pouquinho de estômago forte e nos confronta com visões que beiram o arrepiante, mas que não adianta, a gente reconhece dentro da gente. Como eu não sei escrever resenhas (nunca soube), leiam esta aqui, que foi a mais legal que encontrei.

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Written by lau2m


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