setembro 1, 2010 · Textos meus · 2 comments

Meu aniversário tá aí, e minha TPM encavalou com o inferno astral. Apesar disso, se me perguntarem como estou, responderei como os ingleses: not too bad, actually.

Estou curtindo envelhecer. Espero que eu não repita isso só até os meus 31 anos.

Mercúrio está retrogradando e eu perdi meus óculos. Fui à Benedito Calixto procurar uma armação vintage bacaninha, mas só encontrei um vestido para o casamento da minha irmã.

Leio na Susan Miller: if a problem can be fixed with money, it’s not really a problem. Move on – it’s not the end of the world. É isso aí.

De novo estou trabalhando temporariamente no museu. Aprendendo horrores, bombando a tendinite. Mercúrio retrógrado tem dificultado um pouco o andamento dos trabalhos, os computadores travam, as expressões verbais e visuais – basicamente a essência do nosso trabalho – ficam comprometidas.

O museu está em sua entressafra, as exposições passadas acabaram de ser desmontadas para recebermos as novas. Embora seja um pouco triste ver o espaço todo quebrado e vazio, há algo de poético nisso também.

No meio deste post, me liga um amigo e conta que andou meio sumido porque seu celular, seu computador e seu carro quebraram (Mercúrio?).

No meio deste post, o computador da minha vizinha de mesa deu um pau sinistro e enviou um mesmo e-mail para a vice-presidência trinta e duas vezes  (Mercúrio…).

Se for uma pessoa padrão, é fato: ela não vai trocar o certo pelo duvidoso.

Ando com dificuldade pra me expressar e me conectar a mim mesma, não consigo escrever direito, a produção artística parada. Quem assumiu o controle aqui foi meu piloto automático. Sugestões e/ou reclamações sobre qualquer assunto, favor procurá-lo na Eustralásia.

julho 26, 2010 · Sem categoria · 5 comments

Quando a energia emperra e a pindaíba bate, estudamos novos jeitos de se sacudir a poeira e ganhar dinheiro…

http://lau2m.com/blog/vendinha-da-laura/

Tem uma melissa zerada, lápis de cor Caran D’Ache, uma série completa de livros de espanhol, um escarpin, um batom vermelho charmosérrymo, um cachecol e malabares. Dependendo do caso, aceito pechinchas, trocas e vou até você. Veja lá e fale comigo!

julho 23, 2010 · Rest-eau d'Onté · 1 comment

Ou “o que fazer com uma berinjela, um tomate e queijo dando sopa na geladeira”.

INGREDIENTES
Uma berinjela pequena
Um tomate grande
Queijo branco em fatias (ou o que tiver aí)
Queijo gorgonzola em pedacinhos (só coloquei porque tinha, não é essencial pra receita!)
Alho (eu tenho aqueles baldinhos  de alho picado, que duram milênios e salvam a pátria muitas vezes)
Azeite
Sal e pimenta do reino a gosto (eu boto pimenta em tudo, mas fica a seu critério)

MODO DE FAZER
Já vai acendendo o forno pra ele preaquecer. Unte uma forma com bem pouquinho azeite, só o suficiente pra lambuzar o fundo (o truque da minha avó é regar a forma com um fio de azeite e espalhar com um guardanapo :).

Corte a berinjela em rodelas, esfregue nelas um dente de alho pra dar gostinho e tempere com sal e pimenta. Corte o tomate também em rodelas, tempere com sal e pimenta. Disponha as rodelas de berinjela lado a lado, as rodelas de tomate em cima e dê uma regadinha com azeite.

Espalhe as fatias de queijo branco, criando uma terceira camada, e jogue os pedacinhos de gorgonzola por último. Asse em temperatura média até ficar derretidinho e douradinho.

Veja que eu nem deixei a berinjela de molho nem nada, é o cúmulo da preguiça que deu certo!

A estação Faria Lima, minha vizinha, abriu há um tempão. Por fora, bela viola, mas eu ainda não havia ido conhecê-la por dentro.

Toda clean, arquitetonicamente interessante (pra uma leiga como eu), ampla, espaçosa, escadas rolantes inteligentes (que andam mais devagar se percebem que não tem ninguém em cima delas). Aí você chega na plataforma e gente, tem portas antes das portas? Não entendi, a Linha Amarela quer inovar pela menor quantidade de suicídios?

Tirei as fotos na miúda, já que o Metrô enche o saco com essas coisas (mas foto de celular bem que pode)

Depois de passar por duas portas, você entra no vagão. Opa, não tem vagão! O trem é totalmente articulado por aquelas sanfoninhas. Curiosos são os bancos e balaústres brancos e imaculados, por quanto tempo será que vai ficar assim? a) até a Linha Amarela começar a funcionar na hora do rush (porque atualmente ainda é só das 9 às 15h); b) acho que dá pra segurar a limpeza por alguns meses; c) pra sempre, porque o brasileiro é um povo que prima pela limpeza e conservação do espaço público. alguém já viu gente jogando lixo no chão aqui, por acaso?

(e o meu reflexo fantasmagórico)

Em pouquíssimos minutos chega-se à estação Paulista. Resolvi baldear pra Linha Verde só pra ver como era, e anda-se, anda-se, anda-se um monte, tem até aquelas esteiras ultra high tech tipo aeroporto europeu. Andei tanto que pensei “pfff, valia mais a pena ir andando pela rua até a estação Consolação”, sem saber que a baldeação era justamente isso: um caminho subterrâneo até a dita cuja.

A última que eu tinha visto era no aeroporto de Frankfurt #rycah

Não gosto de andar de metrô, avião e meios de transporte que matam nosso senso de distância e não têm paisagem pra curtir da janelinha. Mas ficou TÃO rápido ir de Pinheiros pra Paulista que ando pensando em curtir uma adolescência tardia e voltar da balada na Augusta de transporte público!

junho 22, 2010 · Sem categoria, Textos meus · 2 comments

Depois da efervescência dos últimos dois meses, passo agora por um hiato criativo, tanto visual como textual. Já não consigo olhar pras obras que estiveram expostas, elas me dão um enjoo que é quase físico. Estão guardadas dentro de um enorme saco plástico escuro, no degrau mais alto da estante.

Também não gosto de me lembrar da pseudovernissage e do quanto as pessoas não têm uma boa relação com a arte. Eu sei que a arte contemporânea é chata porque se engajou numa fala pra especialistas, você tem que conhecer toda a história e as referências de um artista pra conseguir entender sua obra? Tem algo mais pedante que isso? Tanto não gosto dessa dinâmica que acabei fazendo criações até por demais expressivas.

Claro que a gente fica curioso, imaginando o que o autor pensou ao criar aquela obra. Mas as pessoas também estão mal acostumadas com as explicações mastigadas, típicas da pós-modernidade. Antes de olhar pra obra, leem a plaquinha em busca de maiores explicações, sendo que às vezes nem precisava. Ansiosas, não se dão alguns instantes pra tentar identificar o que aquela obra suscita dentro de si. Querem a leitura do autor. Elas não entendem que quando a obra tá lá na parede, ja era, ela não pertence mais ao criador, e que o espectador poderá inferir o que ele bem entender, de acordo com a própria bagagem.

E aí fui bombardeada por perguntas das mais diversas, desde o que aquele título significava até o porquê de ter usado fita e não fio dental em uma das colagens. Gente, eu não sei nem a diferença entre fio e fita dental! Um é mais flat que o outro, é isso? Que tal se dar dois minutos por obra, em silêncio e com concentração, pra sacar as sensações que elas te  causam? Eu queria poder ter filmado o descontrol das pessoas pra assistir ao vivo numa salinha separada. Eu não tava preparada pra falar sobre aquilo.

Claro que houve as fofices também, como uma conhecida que falou que teria um dos meus lances na parede da sala da casa dela. Não posso desconsiderar uma opinião vinda de uma fotógrafa de peso, não é mesmo? E uma amiga classificou outra obra minha como “aflitiva”, ela mal conseguia olhar pra parada. Mau pra ela, enquanto eu simplesmente adorei saber que acessei alguém de uma maneira assim tão forte. Ainda mais quando tudo que eu criei foi fruto de sensações assim: fortes.

É que 2010 está sendo um ano de fortes emoções. Aguenta, coração

ps. se um dia o enjoo passar, prometo colocar as fotos todas do mundo no flickr.
junho 18, 2010 · Textos meus · 4 comments

Minha TPM nem de longe se compara ao que era ano passado, antes das sessões de acupuntura e da injeção de fé que é sair de um trabalho escravizante. É empírico, gente: a gravidade da TPM é diretamente proporcional ao nível de stress ao qual nos submetemos.

Mas a maledeta ainda vive. Mais fraca, é claro, e manter-se-á enquanto houver estrogênio e progesterona correndo nestas veias.

Eu poderia encarar esses diazinhos do mês como uma possibilidade para o exercício da tolerância. Eu poderia aproveitar para tentar elevar o espírito e ampliar em mim mesma o sentimento de compreensão e compaixão. Mas gente, meu lado humano, demasiado humano fica atiçado.

Primeiro,  de onde surgiu a moda do sufixo -isse? Chatisse, nerdisse, putisse? É -ice, jesus, é com cê! Chatice, nerdice, putice! Tá entendido?

E essa gente que fica torcendo pro Brasil perder os jogos da Copa? Boooring! Os mais radicais vão e ainda torcem pra Argentina, essa coisa meio adolescente, daquela fase da vida em que se é essencialmente do contra como forma de autoafirmação (fica a dica). Eu acho perigoso o povo brasileiro modular sua autoestima de acordo com vitórias ou derrotas no futebol, e fico até curiosa pra saber o que aconteceria se o Brasil perdesse tipo nas oitavas de final, mas lógico que prefiro que a seleção seja campeã. Não deixa de ser um orgulhinho ver a gente triunfando na nossa área de atuação por excelência, por mais inútil que ela seja!

Não que em alguns casos não seja legítimo torcer contra. É o caso de pessoas que realmente odeiam o Brasil, mas são coerentes e já moram em outro país, ou estão planejando a mudança para breve (aliás, demorou).

E essa vida de revisora em que eu adentrei? Autor escreve tudo mal, emenda 470 frases subordinadas com 53 vírgulas, e a gente quase tem que virar ghostwriter. Quer publicar livro, vai aprender a escrever antes, então, né não? [mas eu juro que gosto mesmo assim, dá pra entender?]

Nos últimos dias tem rolado umas ligações estranhas aqui em casa: eu atendo o telefone e JÁ SE DISPARA UMA GRAVAÇÃO, tipo, olha a que ponto chegamos! Se eu sou o Marcelo Wagner da Silva Pereira, tenho que teclar “2″; se eu desconheço esse cerumano, tenho que teclar “3″. Lógico que no começo eu teclava “3″, na esperança de que parariam de me atormentar. Mas as ligações continuaram, me enfezei e teclei “2″ pra ver se eu conseguia falar com alguém. Uns dois minutos depois, me atenderam. Descobri que era de uma tal de Localcred, expliquei que aqui não tinha nenhum Marcelo Wagner e pedi pra descadastrarem meu número. “Claro, senhora”. Claro, a única coisa clara mesmo é que a vaca não se daria ao trabalho de dar uns 4 ou 5 cliques pra me tirar da base de dados, e no dia seguinte A GRAVAÇÃO ME LIGOU NOVAMENTE. Sobrou pra atendente Thaís, que ouviu MUITO e jurou de pé junto que me excluiu em definitivo. Quer coisa mais irritante?

Facebook daria um capítulo à parte. Gente que escreve besteira no feed a cada cinco minutos, que joga no Farmville e no Mafia Wars 24 horas por dia (graças a Jah eu descobri que dá pra bloquear as atualizações de certos aplicativos), que passa detalhes sórdidos da própria vida (eu quero morrer de catapora ou de vergonha alheia). Fora o uso das redes sociais em geral pra construir um alguém que você não é. Ok, todo mundo faz isso em algum nível, é próprio do cerumano. Mas tem gente que amplifica a máscara a níveis irreais, e o pior é quando você conhece o cerumano em questão e sabe que ele não é nada, NADA daquilo.

Eu sei que preciso muito exercitar a tolerância, eu sei que é muita pretensão se irritar com as falhas dos outros, eu sei que eu tenho as minhas falhas… mas tem um lado meu que anda precisando escancará-las, reconhecê-las  e senti-las, por mais doloroso que isso seja. Quero reencontrar meu lado desequilibrado, não posso ignorá-lo se quero superá-lo. Ou não: de repente descubro que não tenho que superar coisa nenhuma e vivemos felizes para sempre na nossa imperfeição. Pelo menos até a próxima TPM.

junho 10, 2010 · Textos meus · 7 comments

[post escrito no ônibus]

Tô aqui saindo do Ibirapuera, de um bate-papo com o Ney Matogrosso. Eu acho o Ney (para os íntimos) uma figura especial. Ele é polêmico, controverso e questionador da ordem, mas sem ser mala, e tá sempre inovando em sua arte. Criatividade é uma característica que prezo nas pessoas, obras, instituições, nos produtos, serviços, na prima do cachorro da vizinha e em todo o resto, acho que só seres pensantes podem ser criativos.

Era a abertura de um evento ligado a moda. Poderia ter sido bem pior, mas o Ney é tão interessante que eu e a plateia ficamos compenetradas ouvindo ele falar sobre o processo de criação de seus figurinos e performances. Por acaso (ou não), hoje é o primeiro dia de Féshion Week. Tá lá a Bienal bombando de ricos e famosos, trendsetters, itgirls e übermodels.

A moda é um treco que pode ser legal. É inegável que nossas roupas denotam um pouco (muito) do que somos. É legal usar peças criativamente, ousar nas combinações de vez em quando, poder fazer escolhas baseadas no nosso humor do dia – em suma, a moda é mais um microuniverso de possíveis expressões e experimentações, só que em pedaços de pano que nosso corpo carrega pra onde for.

Duro é toda a exploração mercadológica, o consumismo. Claro, como quase tudo hoje em dia. Quão deprê são aquelas  pirralhas de 17 anos de chapinha, blush rosa e salto agulha fluorescente afundando na terra do Ibirapuera? Por deus, quem aguenta isso ainda? É só cópia. Nada se cria, tudo se copia sem a menor reflexão. Se ainda fossem cópias conscientes…

Ok, a pós-modernidade taí e é isso mesmo, é o predomínio da forma sobre o conteúdo, qual a novidade nisso, Laura? Nenhuma, tanto que se encaixa perfeitamente na pergunta que me fizeram outro dia e ficou me martelando: “e aí, tem beijado muito na boca ultimamente”?

A pergunta por si só já é meio esquisita, tipo, o que será que esse “muito” significa quantitativamente pra essa pessoa? Será que, para ela, o ultimamente tem alguma relação com o passado, ou o anula? Estranhíssimo. Tenho dificuldade pra fazer generalizações, sou assim desde pequena. Masss, como devo fidelidade incondicional e simpatia integral à figura em questão – ele é meu cabeleireiro! -, fiz um esforço e respondi: “não”.

“Nããão? Cooomo não? Por quê?”- É foda quando minha pergunta favorita se volta contra mim…

Ainda tentei explicar, mas logo vi que quanto mais eu tentasse, mais palavras de sabedoria viriam – as pessoas estão com a mania irritante de dar conselhos pra qualquer dileminha que você comenta, já repararam? Às vezes até eu mesma me pego nessa bad trip, e no meu caso acho que é pior, porque é um paradoxo ao meu problema com as tais generalizações!

Acredito que pessoas também sofrem da síndrome do nada se cria, tudo se copia, e se você é relativamente seletivo nos seus relacionamentos, fica difícil “beijar muito na boca”. Qual a porcentagem de moderninhos que conhecem a banda nova do underground da Eslovênia, vão na balada nova da Barra Funda e têm pensamentos e julgamentos mais quadrados que os da minha avó? Eu chuto uns 90%.

O ponto não é ser quadrado. O problema mesmo é não se assumir, reforçando esse predomínio da forma sobre o conteúdo. Acho que cada um deve, ou deveria, se sentir livre pra ser o que é. Ser careta tem sido até mais aceito na nossa sociedade, olha que maravilha! Nunca entendi porque os hippies de butique da minha ex-instituição de ensino são super libertários nas festinhas, mas mais retrógrados ainda na hora de ficar com medo de ligar pro cara no dia seguinte, por exemplo.

No fim das contas, acho que existe sim um conselho legítimo, um único, que se pode dar a alguém. Sem pieguices, eu diria tanto aos caretas como aos prafentex, assumidos ou não: o lance é fazer o que o seu coração manda de verdade, seja lá o que for. Mas primeiro tem que aprender a escutá-lo direitinho!

Adoro voltar de viagem e deixar um ou dois rolinhos de filme por revelar. Depois de semanas, quando resolvo fazê-lo, vem a surpresa, a sensação de novos velhos momentos que emergem à memória – porque sempre estiveram lá, mas escondidinhos. O exato pensamento na hora do clique, o comentário posterior, “que merda!” ou “acho que eu pisquei”.

Posso sentir a temperatura da água e ver seu grau de transparência com exaditão. Degustar sua doçura. Posso me lembrar da promessa do pôr-do-sol mais incrível da região,  interrompida por nuvens que estacionaram ali embaixo, entre o céu e a terra. Que durante a tarde foram transformadas em brincadeira: um sapo, um coelho, um animal deuterostômio. Pecilotérmico. Triblástico. Asfvdfgihjdf.

Mas o vento não pára de soprar, porque a Terra continua a girar. E quis ele que as nuvens fossem parar exatamente naquele lugar, exatamente naquele momento. O céu azul-escuro começou a acender suas estrelas, com as quais eu não estava acostumada, e o vento arrastou aquelas nuvens pra dentro da Floresta Amazônica.

[outubro de 2008]
[este inverninho tá foda...]

maio 29, 2010 · Textos meus · 2 comments

A arte é o processo, tanto quanto a finalidade. Os meus, vocês poderão ver no Sesc Pinheiros em breve…

Muito gostoso o jeito como as coisas aconteceram. Da oficina inicialmente despretensiosa, encontram-se pessoas maravilhosas, afinidades são reconhecidas, nossos lados mais obscuros vêm à tona, a autogestão criativa rola naturalmente, o realizar obras com as próprias mãos abrindo portas da percepção, junto a madrugadas de criações coletivas… pra não deixar a peteca da fé na vida cair!